quinta-feira, 6 de dezembro de 2012


O pequeno número dos que são salvos (parte 12 final)

sexta-feira, 4 de novembro de 2011


Conclusão
Irmãos, eu quero que voltem para suas casas confortados hoje. Então, se vocês me perguntarem sobre o meu sentimento a respeito do número daqueles que são salvos, aqui está: Se há muitos ou poucos que são salvos, eu digo que quem quiser ser salvo, será salvo; e que ninguém pode ser condenado se não quer ser. E se é verdade que poucos são salvos, é porque são poucos os que vivem bem. Quanto ao resto, compare estas duas opiniões: a primeira afirma que o maior número de católicos são condenados, o segundo, ao contrário, aponta que o maior número de católicos são salvos. Imagine um anjo enviado por Deus para confirmar a primeira opinião, chegando para dizer-lhe que não só muitos católicos são condenados, mas que de toda esta congregação aqui presente, um só será salvo.
Se você obedecer aos mandamentos de Deus, se você detesta a corrupção deste mundo, se você abraçar a Cruz de Jesus Cristo em um espírito de penitência, você será aquele que sozinho salvar-se-á.
Agora imagine o mesmo Anjo retornando para você e confirmando a segunda opinião. Ele diz que não só a maior parte dos católicos são salvos, mas que, de todos os que estão neste encontro, só um será condenado e todos os outros salvos. Se depois disso, você continuar com as suas usuras, suas vinganças, suas ações criminosas, as suas impurezas, então você será o único a ser condenado.
Qual é a utilidade de saber se poucos ou muitos são salvos? São Pedro nos diz: "Esforce-se por boas obras para assegurar-se que será escolhido" Quando a irmã de São Tomás de Aquino lhe perguntou o que ela devia fazer para ir para o céu, ele disse: "Você será salva se você quiser ser." Eu digo a mesma coisa para você, e aqui está a prova de minha declaração. Ninguém é condenado a não ser que cometa o pecado mortal: que é da fé. E ninguém comete o pecado mortal a menos que queira: que é uma proposta teológica inegável. Portanto, ninguém vai para o inferno, a menos que queira; a consequência é óbvia. Será que isso não é suficiente para te confortar? Chore por pecados do passado, faça uma boa confissão, não peques mais no futuro, e todos vocês serão salvos. Por que atormentarem-se assim? Pois é certo que vocês têm que cometer o pecado mortal para ir para o inferno, e que para se cometer pecado mortal é preciso querer, e que, consequentemente, ninguém vai para o inferno, a menos que queira. Isto não é apenas uma opinião, é uma verdade inegável e muito reconfortante; que Deus lhe dê o entendimento, e que Ele o abençoe. Amém.
Nas primeiras regras sobre o discernimento dos espíritos, Santo Inácio mostra que é típico do espírito do mal tranquilizar os pecadores. Portanto, devemos sempre pregar e gerar confiança e o dever de esperança no perdão infinito do Senhor e em Sua misericórdia, para a conversão é fácil e Sua graça é todo-poderosa. Mas também devemos lembrar que "não se zomba de Deus", e que alguém que está vivendo habitualmente em estado de pecado mortal está no caminho para a danação eterna.
Há milagres de última hora, mas a menos que afirmem que os milagres são o caminho natural das coisas, somos obrigados a concordar que para a maioria das pessoas que vivem em estado de pecado mortal, a impenitência final é a eventualidade mais provável.
As razões de São Leonardo de Porto Maurício nos convenceram. Vale a pena ouvi-las. Com eloquência e clareza, elas desenvolveram uma consideração ao Pe. Lombardi em seu debate público com o líder comunista italiano Velio Spano, em Cagliara, em 4 de dezembro de 1948. "Estou horrorizado ao pensar que se você continuar dessa maneira, você será condenado ao inferno", disse o padre Lombardi ao marxista Spano. Spano respondeu: "Eu não acredito no inferno." E Padre Lombardi respondeu: "Exatamente, e se você continuar, você será condenado, pois para evitar ser condenado, deve-se acreditar no inferno."
Poderíamos generalizar a resposta do Padre Lombardi. Talvez seja exatamente essa falta de fé sobrenatural que está impedindo as pessoas de chegar a uma profunda apreciação da transcendência pastoral da pregação à maneira de São Leonardo de Porto Maurício na sua aplicação à nossa vida contemporânea. De qualquer forma, não é porque a moral é melhor agora do que no tempo do missionário famoso. Nenhuma ocasião pode ser melhor para nós para aplicar este opróbrio do Cardeal Pie: "Eu vejo a prudência em todos os lugares; em breve não veremos coragem em qualquer lugar; com certeza, se continuarmos assim, vamos morrer de um ataque de sabedoria." Não a sabedoria divina, certamente; pois apenas a prudência carnal e mundana dá origem ao conhecimento vão, que zomba do sermão de São Leonardo.
A doutrina de São Leonardo de Porto Maurício salvou e vai salvar inúmeras almas até o fim dos tempos. Aqui está o que a Igreja diz na oração do Ofício Divino, sexta lição, falando da eloquência celestial de São Leonardo: Ao ouvi-lo, até mesmo os corações de ferro e de bronze são fortemente inclinados à penitência, em razão da eficácia surpreendente do sermão e zelo ardente do pregador. E na oração litúrgica que pedimos ao Senhor, que Ele dê o poder de dobrar os corações dos pecadores endurecidos pelas obras da pregação.

Este sermão de São Leonardo de Porto Maurício foi pregado durante o reinado do Papa Bento XIV, que tanto amou o grande missionário



O pequeno número dos que são salvos (parte 6)


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012



Se você considerar o sacramento da penitência, há tantas confissões distorcidas, tantas desculpas esfarrapadas, tantos arrependimentos fraudulentos, tantas falsas promessas, tantas resoluções ineficazes, tantas absolvições inválidas! Será que você considera como válida a confissão de alguém que se acusa de pecados de impureza e ainda guarda a ocasião deles? Ou alguém que se acusa de injustiças óbvias, sem a intenção de fazer qualquer reparação que seja para elas? Ou alguém que cai de novo na mesma iniquidade imediatamente após sair da confissão? Oh, abusos horríveis de tão grande sacramento! Uns confessam para evitar a excomunhão, outros para ter uma reputação como um penitente.

Uns livram-se de seus pecados para acalmar seus remorsos, outros esconde-os de vergonha. Uns acusam-se de forma imperfeita por má intenção, outros expõem-se por força do hábito. Uns não têm a verdadeira finalidade do sacramento em mente, a outros estão faltando a tristeza necessária, e para outros, ainda, o propósito firme. Pobres confessores, quais esforços vocês fazem para trazer o maior número de penitentes a estas resoluções e atos, sem os quais a confissão é um sacrilégio, absolvição uma condenação e a penitência uma ilusão?
Onde estão eles agora, aqueles que acreditam que o número dos que se salvam entre os cristãos é maior do que a dos condenados e aqueles que, para justificar suas opiniões, alegam que, portanto: a maior parte dos adultos católicos morre em suas camas armados com os sacramentos da Igreja, portanto, muitos adultos católicos são salvos? Ah, que bom raciocínio! Você deve dizer exatamente o oposto. Muitos dos adultos católicos confessam mal na hora da morte, portanto muitos deles são condenados. Eu digo "de todas a mais certa", porque uma pessoa que está morrendo que não tenha confessando-se bem quando estava bem de saúde terá uma condição ainda mais difícil para fazê-lo quando estiver na cama com o coração pesado, a cabeça instável, a mente confusa; quando é confrontado, em muitos aspectos, por situações recentes, ocasiões ainda frescas, por hábitos adotados, e acima de tudo por demônios que estão buscando por todos os meios lançá-lo no inferno.
Agora, se você adicionar a todos estes falsos penitentes todos os outros pecadores que morrem inesperadamente em pecado, devido à ignorância dos médicos ou por falha de seus familiares, que morrem de envenenamento ou soterrados em terremotos, ou de um acidente vascular cerebral, ou de uma queda, ou no campo de batalha, em uma luta, pego em uma armadilha, atingido por um raio, queimado ou afogado, você não é obrigado a concluir que a maioria dos adultos cristãos são condenados? Esse é o raciocínio de São Crisóstomo. Este Santo diz que a maioria dos cristãos anda na estrada para o inferno durante toda sua vida. Por que, então, você está tão surpreso que o maior número vai para o inferno? Para chegar a uma porta, você deve tomar a estrada que leva até lá. O que você tem para responder a uma razão poderosa?
A resposta, você vai me dizer, é que a misericórdia de Deus é grande. Sim, para aqueles que O temem, diz o Profeta, mas é grande a Sua justiça para aqueles que não O temem, e condena todos os pecadores obstinados.
Então você vai dizer para mim: Bem, então, para quem é o Paraíso, senão para os cristãos? É para os cristãos, é claro, mas para aqueles que não desonram seu caráter e que vivem como cristãos. Além disso, se ao número de cristãos adultos que morrem na graça de Deus, você adiciona o incontável número de crianças que morrem depois do batismo e antes de chegar à idade da razão, você não vai se surpreender com o que o apóstolo João, falando daqueles que são salvos, diz: "Eu vi uma grande multidão que ninguém podia contar."
E é isso que engana aqueles que pensam que o número dos salvos entre os católicos é maior do que o dos condenados... Se a esse número, você adiciona os adultos que têm mantido o manto da inocência, ou que depois de terem sidos contaminados, se lavaram nas lágrimas da penitência, é certo que o maior número é salvo, e é o que explica as palavras de São João: "Eu vi uma grande multidão", e estas outras palavras de Nosso Senhor, “Muitos virão do oriente e do ocidente, e festejarão na mesa com Abraão, Isaac e Jacó no reino dos céus", e as demais figuras geralmente citadas a favor dessa opinião.
Mas se você está falando de cristãos adultos, experiência, razão, autoridade, dignidade e das Escrituras, todos concordam em provar que o maior número é daqueles que são condenados. Não acredite que por causa disso, o paraíso é vazio, pelo contrário, é um reino muito populoso. E se os condenados são "tão numerosos quanto a areia do mar", os salvos são "tão numerosos quanto às estrelas do céu", isto é, tanto um quanto o outro são inúmeros, embora em proporções muito diferentes.

Catequese básica da Missa Tridentina [2]


O povo católico já não conhece mais a Fé da Igreja, e precisa de nova catequese, para não haver falta de entendimento por motivo tolo. Se a Missa cai de pára-quedas na paróquia, é evidente que algumas "lideranças", já doutrinadas na Teologia da Libertação ou qualquer outra espécie de progressismo vão se opor. Uma solução é a paróquia oferecer uma exposição da Missa, que pode ser ministrada por qualquer leigo bem informado.

Vários padres bem intencionados resolvem aprender o Rito. Porém, foram educados no Modernismo, e apesar de se admirarem muito com a Missa, mal conhecem a doutrina ortodoxa da Igreja sobre o Sacrifício eucarístico. Como a lex orandi é inseparável da lex credendi, os fiéis leigos tradicionais devem ajudar os sacerdotes na explicação do Rito que enfatizasse toda a doutrina subjacente na celebração, a fim de que os padres compreendessem profundamente que aquele Rito é a expressão de uma Fé, e não uma mera cerimônia vazia.

Por isso, faremos uma sequência catequética sobre a Missa da Forma Extraordinária do Rito Romano, e você leitor pode indicar essa catequese ao seu pároco e amigos, para uma maior difusão dela como pede constantemente Bento XVI. Aprimeira parte da catequese você pode ver aqui.


Tempo da Epifania: da Epifania ao Batismo de Jesus (6 a 13/01)
. 
Espiritualidade

A Epifania (quer dizer aparição, manifestação) é uma festa coletiva de três milagres que manifestaram Nosso Senhor:

"Hoje a estrela conduziu os Magos ao presépio, hoje nas bodas a água se tornou vinho, hoje Cristo quis ser batizado no Jordão para nos salvar" (Ad Vesp. antif. ad Magnificat)

Porém, se considerarmos em detalhe o múltiplo objeto desta solenidade, vemos que a Igreja romana celebra a adoração dos magos com maior destaque. A maior parte dos cantos do Ofício e da Missa o celebra, e os dois grandes doutores da Sé Apostólica, São Leão e São Gregório, falaram quase exclusivamente dos Santos Reis em suas homilias sobre a festa.
 
 
Dada esta preferência da Igreja pela primeira manifestação, foi necessário que as outras duas tivessem uma celebração em outros dias.

Assim, a Igreja escolheu o dia da oitava da Epifania (13 de janeiro) para celebrar a comemoração do Batismo de Nosso Senhor (festa de segunda classe), e no segundo domingo após a Epifania se fixou o Evangelho das Bodas de Caná.

O dia da manifestação de Jesus aos magos, primeiros pagãos que receberam o anúncio do Seu nascimento, deve nos fazer lembrar e agradecer a Deus o dom da fé. Ao mesmo tempo é ocasião de rezarmos e colaborarmos com a obra missionária da Igreja, para que Cristo se manifeste muito mais nas almas.


Estrutura e normas litúrgicas

a) A festa da Epifania é de primeira classe. Caso o dia 6 caia em dia de semana, pode ser comemorada no domingo seguinte. Ornamentação, cantos e órgão festivo.

b) Os dias que se seguem à festa são dias feriais normais.

Celebrações de destaque

a) Festa da Sagrada Família: celebra-se no domingo seguinte da Epifania. Data importante para destacar a família: fazer um trono para a imagem da Sagrada Família, cantar hinos alusivos à família.

b) Comemoração do Batismo de Jesus: dia 13 de janeiro.


→ TEMPUS PER ANNUM (depois da Epifania)

Espiritualidade

A partir do dia 14 de janeiro entramos no tempo durante o ano depois da Epifania.

Este tempo, que medeia entre os ciclos do Natal e da Páscoa, transcorre independentemente da celebração de qualquer mistério da vida de Nosso Senhor. Nele a Santa Igreja, unindo-nos à sua prece e reconhecendo-nos sua doutrina, vai nos inculcando o seu genuíno espírito.

O tempo depois da Epifania pode ter de um a seis domingos, o que vai depender da data em que cai a Páscoa. Os domingos que não podem ser celebrados quando a Páscoa cai muito cedo, são transferidos para depois do vigésimo terceiro depois de Pentecostes.
 

Estrutura e normas litúrgicas

a) O tempo durante o ano é o "tempo comum": não apresenta nenhuma norma litúrgica especial.

b) Os dias feriais são de quarta classe. No Ordo aparece sempre a cor litúrgica do tempo: a cor verde. Mas, por serem dias de quarta classe, o sacerdote é livre para celebrar missas votivas (assim a cor dos paramentos varia conforme a Missa escolhida pelo celebrante).


Celebrações de destaque

a) Apresentação do Senhor e Purificação de Nossa Senhora (02/02): dia da Bênção e Procissão das Velas. Ornamentação, canto e órgão festivos. Deve-se destacar o duplo aspecto da festa: o principal é Jesus luz do mundo; conjuntamente a tradição sempre honrou a virgindade e o exemplo de Nossa Senhora. Cerimônia: o celebrante usa capa e pluvial branca. Ajudantes: cerimoniário, dois acólitos e turiferário para a bênção; crucífeto e tocheiros para a procissão.

b) O dia 2 de fevereiro também é o Dia Mundial da Vida Consagrada. A narração evangélica da apresentação de Jesus ao Pai no Templo, o exemplo de obediência e pobreza de São José e Nossa Senhora, e ainda a virgindade de Maria, sugeriram transformar este dia em um dia de orações por todos aqueles que se consagram a Deus sob alguma forma de vida religiosa.


Tempo da Septuagésima

Espiritualidade

O tempo da Septuagésima compreende a duração das três semanas que precedem imediatamente à Quaresma. Ele forma uma das principais divisões do ano litúrgico e é repartido em três seções hebdomadárias: Septuagésima, Sexagésima e Quinquagésima. Como vemos, esses nomes expressam uma relação numérica com o nome Quaresma.

Este tempo foi criado para que nós, católicos, não entremos desprevenidos na Quaresma. Dado que ela é o grande tempo de conversão e renovação da Igreja, era necessário ir avisando os fiéis da sua chegada. Assim, o tempo da Septuagésima é uma espécie de tempo de exame de consciência, ou seja, é um tempo para refletirmos sobre nossos pecados pelos quais deveremos fazer penitência na Quaresma.

O próprio número setenta é simbólico: lembra os setenta anos do cativeiro do povo escolhido na Babilônia, símbolo do cativeiro do pecado, do qual Jesus veio nos libertar.


Estrutura e normas litúrgicas

a) Com a Septuagésima começa o tempo penitencial de preparação para a Páscoa: os paramentos são roxos, omite-se o Aleluia em todos os ritos litúrgicos.

b) É um tempo de penitência moderada: pode-se ornamentar o altar com flores, mas é interessante já ir marcando a penitência com adornos mais sóbrios.

c) Coro e órgão: pode-se tocar o órgão, ficando proibidos todos os demais instrumentos (violino, flauta, etc.). Começar a cantar hinos penitenciais.

d) Durante a semana, quando não há festas de santos, são dias feriais normais.

Continua na próxima sequência. Referência do corpus textual fórum de debates Google+ Apologética Católica.

PARA CITAR ESTE ARTIGO:



Catequese básica da Missa Tridentina [2]David A. Conceição 12/2012 Tradição em Foco com Roma.



CRÍTICAS E CORREÇÕES SÃO BEM-VINDAS:


tradicaoemfococomroma@hotmail.com

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012





A EUCARISTIA É VERDADEIRO SACRAMENTO INSTITUÍDO POR CRISTO

                                   
  

   O Concílio de Trento (1545-1563), sob Paulo III (1534-1549), declara:

·        "Se alguém disser que os Sacramentos da nova Lei não foram instituídos todos por Jesus Cristo, e que são sete: Batismo, Eucaristia... e que algum destes não é verdadeiro e propriamente Sacramento, seja excomungado."

Sagradas Escrituras:

·        Nosso Senhror Jesus Cristo instituiu a Eucaristia se vê em suas palavras: "Fazei isto em memória de Mim..." (Lc 22,19). Nelas se cumprem todas as notas essenciais da definição do Sacramento:
·        A matéria: o pão e vinho.
·        A forma: as palavras da consagração.
·       A graça interna: indicada e produzida pelo signo é a união com Cristo e a vida eterna:
1.     "Quem come Minha Carne e bebe Meu Sangue permanece em Mim e Eu nele" (Jo 6,56).
2.     "Aquele que come Minha Carne e bebe Meu Sangue tem a vida eterna." (Jo 6,54).

CRISTO ESTÁ PRESENTE NO SACRAMENTO DO ALTAR PELA TRANSUBSTANCIAÇÃO DE TODA A SUBSTÂNCIA DO PÃO EM SEU CORPO E TODA SUBSTÂNCIA DO VINHO EM SEU SANGUE

O Concílio de Trento (1545-1563), sob Júlio III (1550-1555), declara:

·        "Se alguém disser que no sacrossanto Sacramento da Eucaristia permanece as substâncias do pão e do vinho, juntamente com o Corpo e o Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, e negar aquela maravilhosa e singular conversão de toda a substância do pão e do vinho em Corpo e Sangue, permanecendo apenas as espécies de pão e vinho, conversão essa que a Igreja muito corretamente chama 'Transubstanciação', seja excomungado." (Dz. 884-877).

   "Transubstanciação" é uma conversão no sentido passivo; é o trânsito de uma coisa a outra. Cessam as substâncias de Pão e Vinho, pois sucedem em seus lugares o Corpo e o Sangue de Cristo. A Transubstanciação é uma conversão milagrosa e singular diferente das conversões naturais, porque não apenas a matéria como também a forma do pão e do vinho são convertidas; apenas os acidentes permanecem sem mudar: continuamos vendo o pão e o vinho, mas substancialmente já não o são, porque neles está realmente o Corpo, o Sangue, Alma e Divindade de Cristo.
Sagradas Escrituras:
·        Mc 14,22: "Tomai, este é Meu Corpo...".


   Os Dogmas nos levam a ter zelo em receber Nosso Senhor na  Hóstia Consagrada, dignamente BEM VESTIDOS, DE JOELHOS E NA BOCA (com atos externos e internos) pois estamos diante de Deus que mereçe toda a honra e toda a glória, não recebe-Lo na mão como se fosse um simples pedaço de pão. 


Fonte: http://gstomasdeaquino.blogspot.com.br/     

“Confesso meus pecados diretamente a Deus, não preciso de sacerdote” - O que pensar sobre isso à luz das escrituras?

Dom Estevão Bettencourt (OSB)

Esta proposição é aparentemente ditada pelo bom senso, Mas… reflitamos um pouco.
Nenhum cristão negará que o pecado é desobediência do homem a Deus, derrogação aos direitos do Soberano Senhor.


Só Deus pode perdoar, pois a criatura não tem títulos próprios que ela possa fazer valer diante do Criador. Se, não obstante, o Senhor quer indulgenciar, Ele pode muito bem ter-se reservado o direito de indicar ao homem a via pela qual se há de reconciliar.
Foi o que de fato se deu. Jesus no Evangelho ensinou-nos, de um lado, que não há pecado irremissível, mas, de outro lado, que o ministério da remissão foi confiado aos sacerdotes.
Com efeito, o Senhor, antes da Paixão, prometeu a Pedro (Mt 16,19) e a todos os Apóstolos (Mt 18,18) o poder de ligar e desligar validamente na terra e no céu.
Mais tarde, no dia mesmo da ressurreição, entregou-lhes esta faculdade, quando, aparecendo aos onze discípulos, lhes disse:
“Assim com o Pai me enviou, eu também vos envio”.A seguir, soprando sobre eles, continuou:“Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados; àqueles a quem os detiverdes (não perdoardes), serão detidos” (Jo 20,22s).
As expressões “ligar” e “desligar” eram assaz comuns na linguagem dos rabinos:
“ligar” significava “usar de rigor”; “desligar” equivalia a “usar de brandura”. Na casuística judaica, dizia-se comumente: “Neste ponto, Rabi Chamai liga. Rabi Hillel desliga”; o que significava: “Chamai proíbe, Hillel permite”.
Nos termos acima, portanto, Jesus fez dos seus Apóstolos os árbitros das consciências, habilitando-os a proferir sentenças de absolvição ou censura que seriam confirmadas no céu.
Ora quem constitui um árbitro não pode deixar de lhe outorgar os meios necessários para que exerça equitativamente a arbitragem. Entre esses meios, está o conhecimento exato do assunto a julgar, da culpabilidade, das disposições do réu.
Já que estes elementos pertencem ao foro da consciência e não se manifestam senão por confissão, segue-se que Jesus, com o poder das chaves, entregou aos seus ministros a incumbência de ouvir a confissão sacramental dos pecadores; somente depois desta acham-se habilitados a absolver ou repreender em nome de Deus.
A prática dos cristãos desde o início da Igreja confirma esta dedução: a confissão aos bispos e sacerdotes é largamente atestada pelos documentos da antiga literatura cristã.
Pergunta-se, porém: porque será que Jesus quis que a remissão dos pecados se fizesse mediante os ministros da Igreja?


1)- Lembremo-nos de que o pecado não é um ato que atinja Deus e o pecador apenas; tem profundas consequências espirituais (às vezes também temporais e concretas) para os demais homens, pois Deus nos fez solidários entre nós tanto nos méritos como nos deméritos; principalmente os cristãos se acham unidos entre si na chamada “comunhão dos santos”.
2)- Se, pois, o pecado redunda em detrimento para a comunidade dos irmãos na fé, que constituem a Igreja, compreende-se que a remissão outorgada por Deus passe pelo ministério ou pelos ministros da Igreja; são estes que representam a comunhão dos santos e o próprio Deus. É, por conseguinte, a eles que o pecador arrependido deve procurar, a fim de professar o mal cometido e esperar a remissão que Deus se dignará fazer passar por eles.
3)- Eis o motivo por que nas circunstâncias normais (não falamos dos casos em que é impossível procurar o sacerdote) não há perdão de pecado em caráter meramente particular, mediante oração do pecador emitida diretamente ao Senhor.
Pretender isto seria desconhecer o plano de Deus, que determinou santificar-nos e consumar-nos em solidariedade mútua, numa comunhão fraterna, num grande Corpo Místico, que é a Igreja.
4)- Do que foi dito se segue que o cristão não confessa os seus pecados ao sacerdote porque julgue que este é isento de faltas (tem-nas, como todo indivíduo humano); nem é da santidade do ministro que ele espera receber absolvição. Não; o sacerdote, ao absolver, nada confere de seu; procede qual mero instrumento a quem o Senhor gratuitamente conferiu o Espírito Santo para discernir o estado de alma do penitente e proferir em nome do Senhor a absolvição. Desde que o sacerdote, sacralmente habilitado pela Igreja, tenha a intenção de fazer o que Cristo faria, é realmente Cristo quem por ele absolve, independentemente das virtudes ou dos defeitos do respectivo ministro.
5)- Estas noções também concorrem para evidenciar que a confissão sacramentai não se pode confundir com psicoterapia religiosa; verdade é que entre os seus efeitos pode estar o alívio de ânimo do penitente, alívio proporcionado pelo “desabafo” da consciência, pelos conselhos dados por um confessor compreensivo, douto, virtuoso, etc. Contudo, mesmo que falte ao sacerdote um tino psicológico esmerado (qualidade certamente preciosa), o seu ministério é válido e a confissão do pecador frutuosa, em virtude da absolvição sacramental, porque o encontro do penitente com o sacerdote se verifica num plano sobrenatural, em que Deus age ultrapassando as capacidades meramente humanas do seu ministro.
Por este motivo, entende-se que confissão e direção espiritual possam ser separadas uma da outra.


A direção, que consiste em orientar os fiéis no andamento geral de sua vida interior, não pertence propriamente ao rito do sacramento; por isto a sua eficiência não é garantida pelo poder transcendente das chaves, mas depende, em grande parte, das aptidões naturais, do cabedal de cultura e principalmente do grau de união com Deus que o diretor possua. Donde se vê que, embora todo sacerdote aprovado pela Igreja possa ser confessor, não qualquer um é apto diretor de consciência; tal há de ser escolhido de acordo com o estado de alma de cada um dos fiéis.
As verdades acima nos fazem ver também que a atitude de quem se chega ao sacramento da confissão, está longe de ser uma atitude de autodefesa, de reconhecimento “mercadejado” das próprias faltas. Muito ao contrário, para usufruir em grau máximo do perdão que lhe é oferecido, o penitente procura identificar-se, tanto quanto possível, com a Justiça de Deus; procura desfazer-se do seu egoísmo e transpor-se para o lado do Senhor Santo, a fim de ver e apontar os seus defeitos como Deus os vê e aponta.
É, pois, em espírito de sinceridade que não sabe encobrir o mal, mas o denuncia para dele se separar, que o cristão se acusa no confessionário.
ATENÇÃO !!! ATENÇÃO !!!A confissão de faltas a um representante de Deus, outrora rejeitada por Lutero, tem sido mais e mais valorizada pelos protestantes dos últimos decênios.
Haja vista o VII Congresso Evangélico Alemão realizado em Frankfurt de 8 a 12 de Agosto de 1956: um dos relatores apresentou eloquente dissertação sobre o valor da confissão, da qual se pode destacar o seguinte trecho:
“Pertence à essência do homem ser responsável. Nós, porém, tendemos a nos desfazer da responsabilidade por expedientes cômodos. Se confessamos as nossas faltas a um irmão, então, e somente então, temamo-las a série, trazemo-las à luz; elas nos custam rubor e vergonha, somos obrigados a reconhece-Ias e a reconhecer a nossa responsabilidade. Em tal caso, porém, o pecado deixa de ser agradável, como agradável é a culpa acariciada e oculta; torna-se amargo. Separamo-nos dele. O pecado uma vez trazido à luz, perde muito do seu poder sedutor.Não diga alguém “Pequei” apenas. Não te queiras entrincheirar atrás de tão generalizadas confissões como: “Todos nós somos pecadores”. Tais são muito frequentemente meros subterfúgios mediante os quais o homem quer escapar a uma intervenção punitiva e santificante de Deus. Fala daquilo que cometeste pessoalmente. Faze, para isto, uma confissão individual. Esta ajuda o pecador a começar de novo; a confissão não deve concorrer para que o pecado continue a viver no indivíduo” (Herder-KorrespondenZj Oktober 1956, XI I).
Como se vê, são apenas razões psicológicas ou psicoterápicas que o orador cita em favor da confissão; não considera o seu aspecto sacramental, ou seja, a comunicação da graça que se faz independentemente do que o confessor e o penitente possam “sentir ou experimentar”.
Contudo já esta atitude representa grande novidade, se se considera que é tomada pelo representante de uma ideologia que a princípio rejeitou peremptoriamente a confissão individual dos pecados.
Por ocasião do mesmo Congresso de Frankfurt, foram praticadas a confissão auricular e a abertura de consciência em trinta lugares diferentes da cidade, às vezes até altas horas da noite.
Depois do Congresso, o pastor H. Schieber de Stuttgart declarou aos seus fiéis que, a partir do dia 23 de Setembro seguinte, na “Paul-Gerhardt Kirche”, teriam diariamente a oportunidade de se confessar entre 7,30 e 8,30 horas, antes do Ofício religioso.
Tais fatos, inspirados peia sinceridade de pessoas que realmente procuram a Deus, indiretamente atestam que a confissão auricular não é instituição de homens prepotentes, mas é praxe espontânea à natureza humana.



Praxe que, além de conferir benefícios de ordem psicológica, foi elevada por Jesus Cristo à dignidade de sacramento ou canal pelo qual Deus nos vem ao encontro.


Dom Estevão Bettencourt (OSB)


Gostou? Clique no link abaixo e conheça o blog que publicou essa postagem!
“Confesso meus pecados diretamente a Deus, não preciso de sacerdote” - O que pensar sobre isso à luz das escrituras?

Postado por Danilo Badaró

terça-feira, 4 de dezembro de 2012


Dos vícios e das virtudes


A verdade do Homem, a verdade de cada um de nós, é-nos revelada por nós mesmos através das nossas escolhas. Mas nunca num acto isolado

Nenhum ato isolado define um homem. A vida humana é feita de um conjunto enorme de momentos, repetições, escolhas, encontros, desencontros e reencontros. Não há altos isolados. A construção da essência de cada um exige um trabalho guerreiro permanente. Vamos sendo o que vamos escolhendo, com alguns momentos mais decisivos que outros, mas sem grandes sobressaltos. É a linha que vamos traçando que nos definirá.

Não há ninguém que se torne viciado no que quer que seja sem que tenha atingido um ponto de obstinação. O vício é uma dependência porque, ao fim de uma série de decisões, o viciado abdicou do controlo da construção de si mesmo em favor de um qualquer modelo estranho à sua felicidade. Viciou-se.

Não há heróis de um ato só. É-se virtuoso à custa de praticar sucessivamente o bem, multiplicando-o.

Não pode nenhum homem julgar, de forma completa, outro. Poder-se-ão julgar os altos mas não as histórias. Julgar é um ato viciado e viciante, que nos retira a capacidade de permanecermos focados na concretização das melhores possibilidades da nossa existência.

Nos restantes seres vivos tudo parece ter uma natureza pré-programada, uma definição prévia. A realidade e a dignidade humanas fundam-se no carácter completamente aberto do amanhã. Não somos pré-programados. Decisão após decisão vamo-nos construindo, aparecendo ao mundo e a nós mesmos, tal como fomos capazes de nos ir fazendo, tal como somos, tal como quisemos ser.

Será talvez um mistério a razão pela qual há tantos homens que são carrascos e vítimas de si mesmos, condenam-se a um inferno que não carece de outro que não esse seu eu medonho para perpetuar uma pena de infelicidade irrevogável. Por que desejarão o seu próprio mal? Talvez porque há sempre um caminho a fazer e, seguir rumo ao bem, pode ser muito doloroso, um pé para diante de outro, sempre a subir, degraus sempre mais altos que os anteriores... há quem duvide, de si mesmo, de tudo, encolha o ombros e sucumba na ânsia de descansar, escolhendo não escolher, desiste, uma e outra vez, até se dar conta que está no fundo do poço.

Da dependência há apenas uma, e uma só, hipótese de resgate: o mesmo eu que caiu, levantar-se. Através de uma longa sequência de decisões árduas pelo bem. Nunca é apenas uma, seria fácil demais; e seria injusto. A felicidade é um prémio não um direito universal. Conquistam-na os que arriscam corajosamente seguir tantas vezes pelo caminho mais duro; aqueles que, apesar das montanhas de dúvidas, encontram forma de fazer forças e com elas avançam no caminho do bem.

A verdade do Homem, a verdade de cada um de nós, é-nos revelada por nós mesmos através das nossas escolhas. Mas, nunca num ato isolado. Ninguém fica desgraçado por uma desgraça só. Todos caem. Uma e outra vez. Assim como todos acertam, bastantes vezes... o que importa mesmo é o caminho feito de forma livre e responsável. Ou para o céu ou para outro lado qualquer...

A maior de todas as virtudes é ser-se uma perfeição construída à custa de uma multiplicidade de passos imperfeitos, erros, quedas e tantos, tantos, recomeços... a Felicidade é o resultado de uma orientação totalmente livre e corajosa para o bem.

A vida humana será uma espécie de navegação por entre o previsto e o imprevisto, do sonho puro à realidade crua, cada um de nós está nas suas próprias mãos. Sempre. Porque em cada novo dia tudo está, feliz e infelizmente, em aberto...

Gostou? Clique no link abaixo e conheça o blog que publicou essa postagem!

Dos vícios e das virtudes:

José Luís Nunes Martins, i-online 1 Dez 2012

sábado, 1 de dezembro de 2012




Mortuo homine ímpio, nulla erit ultra spes – “Morto o homem ímpio, não restará mais esperança alguma” (Prov. 11, 7).


Sumário. Enquanto o pecador vive, há sempre esperança de conversão; mas quando a morte o arrebatou no estado de pecado, não lhe resta mais esperança alguma e verá sempre diante dos olhos a sentença de sua eterna condenação. Sim, porque o inferno tem uma porta de entrada, mas não de saída. O que o réprobo começa a sofrer no primeiro dia da sua entrada, terá de sofrê-lo sempre. Qual não seria, pois, o nosso desespero, se por desgraça nos viessemos a condenar!... Ó Pai Eterno, pelo amor de Jesus Cristo, castigai-me como quiserdes, mas poupai-me na eternidade.


I. Quem entra uma vez no inferno, nunca mais dele sairá. Este pensamento fazia Davi exclamar tremendo: “Ó Senhor, não me afogue a tempestade, nem me absorva o mar profundo, nem cerre o poço a sua boca sobre mim.”(1) Mal cai um réprobo neste poço de tormentos, logo se fecha a entrada e não se abre mais. O inferno tem uma porta de entrada, mas não de saída, diz Eusébio Emisseno: Descensus erit, ascensus non erit. Eis como ele explica as palavras do salmista: Não cerre o poço a sua boca sobre mim: Enquanto vivo, pode o pecador ter esperança de conversão, mas se a morte o surpreender no estado de pecado, perdê-la-á para sempre: Morto o homem ímpio, não restará mais esperança alguma.


Se os condenados pudessem ao menos embalar-se em alguma falsa esperança e assim achar algum alívio na sua desesperação! O homem enfermo mortalmente e estendido no leito, apesar de desenganado pelos médicos, ainda busca iludir-se e consolar-se dizendo: “Quem sabe se ainda não se encontra um médico ou um remédio que me possa curar?” Um criminoso condenado às galés perpétuas acha também uma consolação neste pensamento: “Quem sabe se algum acontecimento não me tirará destas cadeias?” Se o réprobo pudesse ao menos dizer igualmente: “Quem sabe se um dia não sairei desta prisão?” e assim iludir-se com alguma falsa esperança. Mas não: no inferno não há esperança, nem verdadeira nem falsa; não há o quem sabe.


Satatuam contra faciem (2) – “Eu t´o porei diante de tua face”. O desgraçado réprobo terá incessantemente diante da vista a sentença que o condena a gemer eternamente nesse abismo de sofrimentos. O condenado não sofre somente a pena de cada instante, mas sofre a cada instante a pena da eternidade, vendo-se obrigado a dizer: O que sofro atualmente, sofrê-lo-ei sempre. Pondus aeternitatis sustinent, diz Tertuliano: os réprobos gemem sob o peso da eternidade.


II. Dirijamos ao Senhor a súplica que lhe fazia Santo Agostinho: “Meu Deus, queimai e cortai aqui, não me poupeis, a fim de que possais perdoar-me na eternidade.” As penas da vida presente são passageiras: Sagittae tuae transeunte; mas os castigos da outra vida nunca têm fim. Temamo-los, pois, temamos esse trovão: Vox tonitrui tui in rota (3); esse trovão da condenação eterna, que, no dia do juízo, sairá contra os réprobos da boca do divino Juiz: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno (4). Diz-se: in rota; porque a roda é a imagem da eternidade, que não tem fim. Será grande o suplício do inferno, mas o que mais nos deve assustar é ser o castigo irrevogável.


Ó meu Redentor, se eu atualmente estivesse condenado, como mereci tantas vezes, não haveria para mim esperança de perdão. Ah, Senhor, agradeço-Vos o tempo e as luzes que ainda me concedeis e prometo mudar de vida. Como? Esperarei porventura que me mandeis ao inferno? Eis-me aqui prostrado aos vossos pés; recebei-me na vossa graça. Outrora fugia de Vós; mas agora estimo a vossa amizade mais do que a posse de todos os reinos da terra. Não quero mais resistir aos vossos convites. Vós me quereis todo para Vós; todo inteiro me consagro a Vós. Sobre a cruz Vos destes todo a mim, eu me dou todo a Vós.


Prometestes: Si quid petieritis me in nomine meo, hoc faciam (5) – “Se me pedirdes alguma coisa no meu nome, fá-lo-ei”. Ó meu Jesus, confiado na vossa bela promessa, no vosso nome e pelos vossos merecimentos peço-Vos a vossa graça e o vosso amor. Fazei que na minha alma reine a vossa graça e o vosso santo amor, assim como nela reinou o pecado. Graças Vos dou por me terdes animado a fazer-Vos este pedido; pois isto me afiança que serei atendido. Atendei-me, ó meu Jesus, e dai-me um grande amor para convosco, dai-me um grande desejo de Vos agradar e a força para o executar. – Ó minha poderosa Advogada, Maria, atendei-me também vós, e rogai a Jesus por mim. (*II 124.)


----------
1. Ps. 68, 16.
2. Ps. 49, 21.
3. Ps. 76, 19.
4. Matth. 25, 41.
5. Io. 14, 14.


(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III: Desde a Décima Segunda Semana depois de Pentecostes até o fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p. 287- 290.