quinta-feira, 4 de abril de 2013







4 DE ABRIL DE 2013


Da Comunhão Sacrílega.



Qui manducat et bibit indigne, iudicium sibi manducat et bibit, non diiudicans corpus Domini – “O que come e bebe indignamente, come e bebe para si a condenação, não fazendo discernimento do corpo do Senhor” (I Cor. 11, 29).
Sumário. Antes de te aproximares da Mesa eucarística, examina sempre a tua consciência, e se por desgraça tiveres remorso de alguma falta grave, purifica a tua alma pela confissão sacramental. Quanto às culpas veniais, esforça-te por tirá-las de tua alma, ao menos as que forem deliberadas, e afasta de ti tudo o que não seja Deus. Ai daquele que comunga indignamente! Torna-se réu do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, e portanto come-o e bebe-o para a sua própria condenação.

I. Consideremos o enorme pecado que comete aquele que se atreve a chegar-se à sagrada mesa com pecado mortal na alma. Este pecado é tão enorme, que São João Crisóstomo, comparando-lhe todos os demais, não acha outro igual, e diz que quem o comete, especialmente sendo sacerdote, é muito pior do que o próprio demônio: Multo daemonio peior est qui, peccati conscius, accedit ad altare. São Pedro Damião explica a razão dizendo: “Se com os outros pecados ofendemos a Deus em suas criaturas, com este ofendemo-Lo em sua própria pessoa.”
Que dirias do perverso que tirando a sacrossanta Hóstia da Âmbula sagrada, a atirasse a um vil monturo? Pior do que isso, diz São Vicente Ferrer, faz aquele que tem a ousadia de comungar sacrilegamente; porque, de certo modo, atenta contra o corpo de Jesus Cristo, obriga esta vítima inocente a morar em seu coração cheio de corrupção, entrega o Cordeiro imaculado nas mãos dos demônios que o insultam da mais horrenda maneira.

Pelo que Santo Agostinho compara os sacrílegos aos pérfidos Judeus, que crucificaram o nosso Redentor. Com esta diferença, porém: que os Judeus crucificaram ao Senhor da glória enquanto era terrestre e mortal, e os sacrílegos crucificam-No agora que reina no céu; aqueles só uma vez se atreveram a crucificá-lo, estes renovam o deicídio freqüentes vezes; aqueles se tinham declarado inimigos figadais de Cristo, estes traem-No ao mesmo tempo que, pelo menos exteriormente, o reconhecem por seu Deus, simulando reverência e devoção, e imitando a Judas, abusam do sinal de paz: Osculo Filium hominis tradis (1) – “Com um beijo entregas o Filho do homem”.
É disso que Jesus se queixa sobretudo, pela boca de Davi: Si inimicus meus maledixisset mihi, sustimissem utique (2). Se um inimigo, parece dizer Jesus Cristo, me tivesse ultrajado, eu o suportaria com menos pena; mas tu, meu íntimo, meu ministro e príncipe entre o povo; tu, a quem dei tantas vezes a minha carne para sustento: tu me vendes ao demônio por um capricho, por uma vil satisfação, por um punhado de terra?
II. Mas ai do sacrílego! Ai de quem tem a ousadia de tornar-se réu do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, chegando-se indignamente à Mesa sagrada! Falando o Senhor com Santa Brígida a respeito daqueles infelizes, repetiu-lhe as palavras proferidas com relação ao pérfido Judas: Bonum erat ei, si natus non fuisset homo ille (3) – Seria melhor para eles se nunca houvessem nascido. Sim, porque, como diz São Paulo: “Quem come este pão e bebe este cálice do Senhor indignamente, come-o e bebe-o para sua própria condenação: iudicium sibi manducat et bibit.”

Meu irmão, afim de que não te suceda tamanha desgraça, segue o aviso do mesmo Apóstolo: Probet autem seipsum homo (4) – “Examine-se, pois, a si mesmo o homem”. Examina a tua conduta, e se a consciência te acusar de alguma grave culpa, purifica-a por meio de uma boa Confissão sacramental, antes de tomar o alimento da vida eterna. – Quanto às culpas veniais, deves tirar da alma ao menos as cometidas deliberadamente e expulsar do coração tudo que não é Deus. É o que, na interpretação de São Bernardo, significam as palavras que Jesus Cristo disse aos apóstolos, antes de lhes dar a comunhão na última ceia: Qui lotus est non indiget nisi ut pedes lavet (5) – “Aquele que está lavado, não tem necessidade de lavar senão os pés”.

Meu dulcíssimo Jesus, oh! Pudesse eu lavar com minhas lágrimas, e até com meu sangue, as almas infelizes em que o vosso amor é tão ultrajado no santíssimo Sacramento! Oh, pudesse fazer com que todos os homens se abrasem em vosso amor! Mas, se isto não me é concedido, desejo ao menos, Senhor, e proponho visitar-Vos muitas vezes e receber-Vos em meu coração, para Vos adorar, como de presente o faço, em reparação dos desprezos que recebeis dos homens neste diviníssimo mistério. Ó Pai Eterno, acolhei esta fraca homenagem que hoje Vos rende o mais miserável dos homens, em reparação das injúrias feitas a vosso divino Filho sacramentado; acolhei-a unida com a honra infinita que Jesus Cristo Vos deu sobre a Cruz e Vos dá ainda todos os dias no santíssimo Sacramento. E vós, minha Mãe Maria, obtende-me a santa perseverança. (*III 51.)

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1. Luc. 22, 48.

2. Ps. 54, 13.

3. Matth. 26, 24.

4. I Cor. 11, 28.

5. Io. 13, 10.





(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 11- 14.







quarta-feira, 3 de abril de 2013





3 DE ABRIL DE 2013

Necessidade da Perseverança.





Qui autem perseveraverit usque in finem, hic salvus erit – “Quem perseverar até o fim, será salvo” (Matth. 24, 13).


Sumário. Meu irmão, puseste agora mãos à obra; começaste a viver bem. Dá por isso graças ao Senhor. Lembra-te, porém, que ao que começa a recompensa é apenas prometida, mas é dada somente ao que persevera até ao fim. Quantos começarem bem, talvez melhor do que tu, mas depois acabaram mal e agora ardem no inferno! Para obteres a perseverança, deves em primeiro lugar pedi-la a Deus, e de teu lado deves empregar os meios mais apropriados.


I. São muitos os que começam, diz São Jerônimo, mas são poucos os que perseveram. Um Saul, um Judas, um Tertuliano começaram bem, mas acabaram mal, porque não perseveram no bem. Devemos saber, continua o mesmo Santo, que Deus não pede somente o começo de vida boa, mas quer também o fim: o fim é que alcançará a recompensa. – Diz São Boaventura que a coroa se dá somente à perseverança: Sola perseverantia coronatur. Pelo que São Lourenço Justiniani chama a perseverança porta do céu: coeli ianuam. Ora, não poderá entrar no paraíso quem não der com a porta.


Agora, meu irmão, abandonaste o pecado, e crês com razão ter recebido o perdão. És, pois, amigo de Deus; sabe todavia que não estás ainda salvo. E quando estarás salvo? Quando tiveres perseverado até ao fim: Que perseveraverit usque in finem, hic savus erit. Começaste a viver bem: agradece-o ao Senhor; mas avisa-te São Bernardo que a recompensa celeste é somente prometida ao que principia, mas é somente dada ao que persevera. Não basta olhar só ao fim: é preciso ir após ele até alcançá-lo, segundo a expressão do Apóstolo: Sic currite, ut comprehendatis (1) – “Correi de tal modo que o alcanceis”.


Já meteste a mão ao arado, principiaste a viver bem; mas agora, mais do que nunca, teme e treme: “Empenhai-vos na obra de vossa salvação com temor e tremor” (2), diz o Apóstolo. E por quê? Porque se olhares para trás – o que não permita Deus! – e voltares para a vida de pecado, Deus te declarará excluído do céu:Nemo mittens manum ad aratrum et respiciens retro, aptus est regno Dei (3) – “Nenhum que mete a sua mão ao arado e olha para trás é apto para o reino de Deus”.


II. A perseverança tão necessária para a salvação é um dom todo gratuito de Deus, que nós nunca podemos merecer. Mas, como ensina Santo Agostinho, obtê-la-ão da misericórdia divina todos os que lh´a pedem e por seu lado empregam os meios próprios para levar uma vida bem ordenada. – Se queres perseverar e salvar-te, freqüenta os santíssimos Sacramentos; faze todos os dias uma meditação e ouve uma santa missa; visita todos os dias a Jesus sacramentado e examina a tua consciência. Tem sobretudo grande devoção a Nossa Senhora, que se chama a Mãe da perseverança. Consagra-te também muitas vezes inteiramente ao Senhor, e dize-Lhe com ternura, especialmente de manhã, antes de te dares às ocupações:


† “Ó Deus eterno, eis-me aqui prostrado em presença de vossa infinita majestade, e adorando-Vos humildemente, consagro-Vos todos os meus pensamentos, palavras e obras deste dia, e tenho tensão de fazer tudo por vosso amor, para vossa glória, para cumprir a vossa divina vontade, para Vos servir, louvar, e bendizer, para ser iluminado acerca dos mistérios de nossa santa fé, para assegurar a minha salvação e esperar na vossa misericórdia, para satisfazer à vossa divina justiça pelos meus muitos e gravíssimos pecados, em sufrágio das almas santas do purgatório e para obter para todos os pecadores a graça de uma verdadeira conversão.


“Numa palavra, tenho a intenção de fazer tudo em união com as intenções puríssimas que em sua vida tiveram Jesus e Maria, todos os santos do céu e todos os justos da terra. Quisera que me fosse possível assignar esta minha intenção com o meu próprio sangue e repeti-la a cada instante tantas vezes, quantos são os instantes de toda a eternidade. Recebei, ó meu Deus amado, esta minha boa vontade; dai-me a vossa santa benção com a graça eficaz de nunca cometer um pecado mortal em toda a minha vida, e particularmente neste dia, no qual desejo e tenciono ganhar todas as indulgências que possa ganhar, e assistir a todas as missas que hoje vão ser celebradas no mundo inteiro, aplicando-as todas em sufrágio das almas santas do purgatório, afim de que sejam livradas daquelas penas. Assim seja.” (4) (*II 141.)
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1. I Cor. 9, 24.
2. Phil. 2, 12.
3. Luc. 9, 62.
4. Indulg. de 100 dias cada dia, e indulgência plenária para quem a recitar durante um mês inteiro, com tanto que se confesse, comungue e ore segundo as intenções do Sumo Pontífice.


(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 9 - 11.)







terça-feira, 2 de abril de 2013


terça-feira, 2 de abril de 2013

Sáo Francisco de Paula. Terça-feira da Pascoa.

02/04 Terça-feira da Pascoa 
Festa de Primeira Classe 
Paramentos Brancos


Fundou a Ordem dos Irmãos Mínimos. 
1416-1507

  Tiago era um simples lavrador que extraia do campo o sustento da família. Muito católico, tinha o costume de rezar enquanto trabalhava, fazia seguidos jejuns, penitências e praticava boas obras.
  Sua esposa chamava-se Viena e, como ele, era boa, virtuosa e o acompanhava nos preceitos religiosos. Demoraram a ter um filho, tanto que pediram a são Francisco de Assis pela intercessão da graça de terem uma criança, cuja vida seria entregue a serviço de Deus, se essa fosse sua vontade.
 No dia 27 de março de 1416, nasceu um menino que recebeu o nome de Francisco, em homenagem ao Pobrezinho de Assis.
  Aos onze anos, Francisco foi viver no convento dos franciscanos de Paula, dois anos depois vestiu o hábito, mas teve de retornar para a família, pois estava com uma grave enfermidade nos olhos. Junto com seus pais, pediu para que são Francisco de Assis o ajudasse a ficar curado. Como agradecimento pela graça concedida, a família seguiu em peregrinação para o santuário de Assis, e depois a Roma. Nessa viagem, Francisco recebeu a intuição de tornar-se um eremita.
  Assim, aos treze anos foi dedicar-se à oração contemplativa e à penitência nas montanhas da região. Viveu por cinco anos alimentando-se de ervas silvestres e água, dormindo no chão, tendo como travesseiro uma pedra. Foi encontrado por um caçador, que teve seu ferimento curado ao toque das mãos de Francisco, que o acolheu ao vê-lo ferido.
Depois disso, começou a receber vários discípulos desejosos de seguir seu exemplo de vida dedicada a Deus. Logo Francisco de Paula, como era chamado, estava à frente de uma grande comunidade religiosa.
  Fundou primeiro, um mosteiro e com isso consolidou uma nova ordem religiosa, a que deu o nome de "Irmãos Mínimos". As Regras foram elaboradas por ele mesmo. Seu lema era: "Quaresma perpétua", o que significava a observância do rigor da penitência, do jejum e da oração contemplativa durante o ano todo, seguida da caridade aos mais necessitados e a todos que recorressem a eles.
  Milhares de homens decidiram abandonar a vida do mundo e foram para o mosteiro de Francisco de Paula, por isso teve de fundar muitos outros.
  A fama de seus dons de cura, prodígios e profecia chegou ao Vaticano, e o papa Paulo II resolveu mandar um comissário pessoalmente averiguar se as informações estavam corretas.
  E elas estavam, constatou-se que Francisco de Paula era portador de todos esses dons. Ele previu a tomada de Constantinopla pelos turcos, muitos anos antes que fosse sequer cogitada, assim como a queda de otranto* e sua reconquista pelos cristãos.
  Diz a tradição que os poderosos da época tinham receio de suas palavras proféticas, por isso, sempre que Francisco solicitava ajuda para suas obras de caridade, era prontamente atendido. Quando não o era, ele dizia que não deviam esquecer que Jesus dissera que depois da morte eles seriam inquiridos sobre o tipo de administração que fizeram aqui na terra, e só essa lembrança era o bastante para receber o que havia pedido para os pobres. Depois, o papa Sixto IV mandou que Francisco de Paula fosse à França, pois o rei, Luís XI, estava muito doente e desejava preparar-se para a morte ao lado do famoso monge. A conversão do rei foi extraordinária. Antes de morrer, restabeleceu a paz com a Inglaterra e com a Espanha e nomeou Francisco de Paula diretor espiritual do seu filho, o futuro Carlos VIII, rei da França.
Francisco de Paula teve a felicidade de ver a Ordem dos Irmãos Mínimos aprovada pela Santa Sé em 1506. Ele morreu aos noventa e um anos de idade, no dia 2 de abril de 1507, na cidade francesa de Plessis-les-Tours, onde havia fundado outro mosteiro. A fama de sua santidade só fez aumentar, tanto que doze anos depois, em 1519, o papa Leão X autorizou o culto de são Francisco de Paula, cuja festa litúrgica ocorre no dia de sua morte.



Epístola 



Atos dos Apostolo 13, 16 e 26-33

16.Paulo levantou-se, fez um sinal com a mão e falou: Homens de Israel e vós que temeis a Deus, ouvi.
26.Irmãos, filhos de Abraão, e os que entre vós temem a Deus: a nós é que foi dirigida a mensagem de salvação. 27.Com efeito, os habitantes de Jerusalém e os seus magistrados não conheceram Jesus, e, sentenciando-o, cumpriram os oráculos dos profetas, que cada sábado são lidos. 28.Embora não achassem nele culpa alguma de morte, pediram a Pilatos que lhe tirasse a vida. 29.Depois de realizarem todas as coisas que dele estavam escritas, tirando-o do madeiro, puseram-no num sepulcro. 30.Mas Deus o ressuscitou dentre os mortos. 31.Durante muitos dias apareceu àqueles que com ele subiram da Galiléia a Jerusalém, os quais até agora são testemunhas dele junto ao povo. 32.Nós vos anunciamos: a promessa feita a nossos pais, 33.Deus a tem cumprido diante de nós, seus filhos, suscitando Jesus, como também está escrito no Salmo segundo: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei (Sl 2,7).

Evangelho 


São Lucas 24, 36-47

36.Enquanto ainda falavam dessas coisas, Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: A paz esteja convosco! 37.Perturbados e espantados, pensaram estar vendo um espírito. 38.Mas ele lhes disse: Por que estais perturbados, e por que essas dúvidas nos vossos corações? 39.Vede minhas mãos e meus pés, sou eu mesmo; apalpai e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que tenho. 40.E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés. 41.Mas, vacilando eles ainda e estando transportados de alegria, perguntou: Tendes aqui alguma coisa para comer? 42.Então ofereceram-lhe um pedaço de peixe assado. 43.Ele tomou e comeu à vista deles. 44.Depois lhes disse: Isto é o que vos dizia quando ainda estava convosco: era necessário que se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos profetas e nos Salmos. 45.Abriu-lhes então o espírito, para que compreendessem as Escrituras, dizendo: 46.Assim é que está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia. 47.E que em seu nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.

Seja bem-vindo. Hoje é Terça-feira, 02 de abril de 2013
Reflexão para Segunda-Feira Pascal
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Cidade do Vaticano - (RV) - Nesta semana, chamada de Semana da Oitava Pascal, vivemos a Eucaristia como se celebrássemos o Domingo de Páscoa, tal é sua importância grandiosa. A Páscoa é a Festa das Festas, é a celebração máxima dos cristãos. Jesus Cristo, por sua morte e ressurreição nos deu a vida plena com o Pai, para toda a eternidade.

Somos levados, por causa de todo o simbolismo e por causa de nossa tendência a sermos solidários com quem padece, a vivenciarmos, com facilidade, os mistérios da Paixão do Senhor. Com certeza, mais uma vez, nossos templos estiveram lotados de pessoas para as celebrações de quinta e, mais ainda, para a de sexta-feira santa.É a sensibilidade que nos provoca a consciência de que somos cristãos e de que é preciso parar e rever nossa caminhada.

Contudo, na Páscoa, celebramos aquilo que somente a fé pode nos falar, em que nossos sentidos não percebem senão com o auxílio da Graça de Deus. Celebramos a Ressurreição do Senhor, a Vida Nova sem os laços da morte a quererem aprisioná-la.O eterno, o que permanece, é invisível aos olhos já nos disse um sábio. O que vemos é passageiro, fenece, morre, desaparece. A Páscoa celebra nossa eternidade feliz.

Aquilo que tivermos feito por vaidade, vai desaparecer com nossa vida, porque pertenceu a este mundo que é caduco, que envelhece e morre. Mas aquilo que fizemos por amor a Deus e ao próximo, permanece e nos acompanhará na eternidade, porque foi fruto da ação do Espírito Santo em nossa vida.

Aproveitemos o Tempo Pascal, especialmente esta semana para resgatarmos a vontade de querer o Céu já nesta terra. Que nossas ações sejam movidas mais por um coração semelhante ao de Jesus e menos pelos desejos consumistas de ter, de prazer, de vaidades, que desaparecerão porque não são eternas, mas frutos do velho Adão que ainda vive em nós e resiste a desaparecer.

Que o Cristo, com seu coração aberto, acolhedor, nos atraia cada vez mais para a fraternidade, para a partilha de tudo que temos e somos, para que a Vida recebida no batismo, cresça e nos faça participar, ainda nesta vida, da alegria eterna que só Deus pode nos dar.Feliz Páscoa!

Por: Rádio Vaticano

2 DE ABRIL DE 2013

No céu goza-se uma felicidade perfeita.

Satiabor cum apparuerit gloria tua – “Saciar-me-ei, quando aparecer a tua glória” (Ps. 16, 15).


Sumário. Posto que no mundo se encontrem muitas coisas formosas, não são, todavia perfeitas, e sempre deixam alguma coisa para desejar. Se, porém, tivermos a ventura de entrar no céu, o nosso coração estará perfeitamente satisfeito nessa ditosa pátria. Ali nada haverá que possa desagradar, e haverá tudo aquilo que se possa desejar. Ah, meu Jesus! Peço-Vos o céu, não tanto para Vos gozar, como para Vos amar de todo o coração.


I. São Bernardo, falando do paraíso, diz: Ó homem, se queres saber o que seja a pátria bem-aventurada, fica sabendo que ali nada há que desagrade, e que se encontra tudo aquilo que se possa desejar; Nihil est quod nolis; totum est quod velis. – Se bem que nesta terra haja alguma coisa que agrada aos nossos sentidos, quantas coisas não há que afligem? Se agrada a luz do dia, aflige a escuridão da noite. Se agradam a amenidade da primavera, a abundância do outono, afligem o frio do inverno e o calor do verão. Acrescentai a isso os sofrimentos na enfermidade, as perseguições da parte dos homens, as privações da pobreza. Acrescentai as angústias interiores, os temores, as tentações dos demônios, as dúvidas da consciência, a incerteza da salvação.


Mas quando os bem-aventurados entram no céu, não terão mais nada a sofrer: Absterget Deus omnem lacrimam ab oculis eorum (1). Deus enxugará de seus olhos todas as lágrimas derramadas sobre a terra; e não haverá mais morte, nem luto, nem clamor, nem mais haverá dor; porquanto as coisas d´outrora desapareceram. – No céu não há doença, nem pobreza, nem incômodos. Deixam de existir a alternação dos dias e das noites, do frio e do calor; é um dia perpétuo e sempre sereno, uma primavera contínua e sempre deliciosa. Ali não há perseguições, nem ciúmes; neste reino de amor todos os habitantes se amam mútua e ternamente e cada qual goza da ventura dos outros, como se fosse a própria. Não há receios, porque a alma confirmada na graça já não pode pecar; nem perder a seu Deus.


Ó meu Jesus, pelo sangue que derramastes por mim, fazei-me digno de entrar um dia na pátria bem-aventurada. Não mereço o paraíso, mas o inferno, porque Vos hei ofendido tantas vezes pelos meus pecados; porém, a vossa morte me faz esperar de possuí-Lo um dia.


II. Totum est quod velis. No céu não somente nada há que desagrade, mas encontra-se tudo quanto se possa desejar. Ali tudo é novo e saciará os nossos desejos: Ecce nova facio omnia (2) – Eis que faço novas todas as coisas. Os olhos se deslumbrarão com a vida daquela cidade, cuja beleza é perfeita. Que maravilha nos não causaria a vista de uma cidade cujas ruas fossem calçadas de cristal, cujas casas fossem palácios de prata, ornados de cimalhas de ouro e de festões de flores! Oh, quanto mais bela ainda é a cidade celeste! Que delicioso não será ver todos os seus habitantes vestidos com pompa real, porque todos efetivamente são reis, como os chama Santo Agostinho: Quot cives, tot reges! Que será o ver a Maria, que aparecerá mais bela que todo o paraíso! Que será o ver o Cordeiro divino! Um dia Santa Teresa viu apenas uma mão de Cristo e ficou arrebatada em êxtase à vista de tão grande beleza.


Os perfumes suavíssimos e incomparáveis do paraíso regalarão o olfato. O ouvido será deleitado pelas harmonias celestes. Um anjo deixou um dia ouvir a São Francisco um único som da música celeste, e o Santo julgou morrer de contentamento. O que não será ouvir todos os santos e todos os anjos cantarem em coro os louvores de Deus? In saecula saeculorum laudabunt te (3) – “Eles te louvarão pelos séculos dos séculos”. O que não será ouvir Maria celebrar as glórias de Deus! A voz de Maria, diz São Francisco de Sales, é no céu o que é num bosque a do rouxinol, que vence a de todas as aves. Numa palavra, o paraíso é a reunião de todos os gozos que se podem desejar.


Ó meu Deus! Eu desejo e Vos peço o paraíso, não tanto para Vos gozar, como para Vos amar. Suplico-Vos, para glória de vossa misericórdia, fazei que os bem-aventurados vejam abrasado em vosso amor um pecador que tantas vezes Vos ofendeu. Tomo a resolução de ser d´aqui por diante todo vosso e de não pensar senão em Vos amar. – Assisti-me com a vossa luz e a vossa graça, que me dê força para executar esta resolução que Vós mesmo pela vossa bondade me inspirais. – Ó Maria, vós que sois a Mãe da perseverança, impetrai-me a fidelidade em minha promessa. (*II 133.)
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1. Apoc. 21, 4.
2. Apoc. 21, 5.
3. Ps. 83, 5.


(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 6 - 9.)

quinta-feira, 28 de março de 2013


28 de março de 2013


DAS VIRTUDES PRINCIPAIS E DE OUTRAS COISAS QUE O CRISTÃO DEVE SABER

§ 1º - Das virtudes teologais

852) Que é a virtude sobrenatural?
A virtude sobrenatural é uma qualidade 
que Deus infunde na alma, pela 
qual se tem propensão, facilidade e 
prontidão para conhecer e praticar o
 bem, em ordem da vida eterna. 

853) Quantas são as principais 
virtudes sobrenaturais?
As principais virtudes sobrenaturais
 são sete, a saber, três teologais e quatro 
cardeais. 

854) Quais são as virtudes teologais?
As virtudes teologais são: a Fé, a 
Esperança e a Caridade. 

855) Por que a Fé, a Esperança
 e a Caridade se chamam virtudes teologais?
Chamam-se a Fé, a Esperança e a 
Caridade virtudes teologais, porque
 têm a Deus por objeto imediato 
e principal e nos são infundidas por Ele. 

856) De que modo têm as virtudes
 teologais a Deus por objeto imediato?
As virtudes teologais têm a Deus
 por objeto imediato, porque pela
 Fé nós cremos em Deus, e cremos 
tudo o que Ele revelou; pela Esperança 
esperamos possuir a Deus; pela Caridade
 amamos a Deus e nEle amamos a nós mesmos 
e ao próximo. 

857) Quando nos infunde Deus na
 alma as virtudes, teologais?
Deus, pela sua bondade, infunde-nos
no alma a, virtudes teologais, quando
 nos adorna com a graça santificante;
 e por isso, quando recebemos o
 Batismo, fomos enriquecidos com 
estas virtudes, e juntamente com os 
dons do Espírito Santo. 

858) Basta, para o cristão se salvar,
 o Batismo as virtudes teologais?
Para quem tem o uso da razão, não
 basta o ter recebido no Batismo
 as virtudes teologais; mas é 
necessário fazer freqüentemente
 atos destas virtudes. 

859) Quando somos obrigados a
 fazer atos de Fé, de Esperança e de Caridade?
Somos obrigados a fazer atos de Fé, 
de Esperança e de Caridade
1.o quando chegamos ao uso da razão;
2.o freqüentes vezes no decurso da vida.-
3.o em perigo de morte.

segunda-feira, 25 de março de 2013


SEGUNDA-FEIRA, 25 DE MARÇO DE 2013

Francisco: Deus é paciente com as nossas fraquezas


Cidade do Vaticano (RV) - Durante a Semana Santa, pensemos na "paciência" que Deus tem com cada um de nós. Foi o que disse o Papa Francisco na manhã desta segunda-feira durante a breve homilia da missa por ele presidida na Capela da "Casa Santa Marta", no Vaticano, da qual participaram, entre outros, os jornalistas do L'Osservatore Romano.

O emblema da infinita paciência que Deus tem pelo homem está refletido na infinita paciência que Jesus tem por Judas. O Santo Padre serviu-se da cena do Evangelho do dia, no qual Judas critica a atitude de Maria, irmã de Lázaro, de ungir os pés de Jesus com trezentos gramas de precioso perfume: teria sido melhor vendê-lo e dar o ganho aos pobres – defende Judas.

João observa no Evangelho que Judas não estava interessado pelos pobres, mas pelo dinheiro, que inclusive roubava. No entanto, "Jesus não lhe disse: 'És um ladrão'", observou o Papa.

Com o amor, afirmou, "foi paciente com Judas, buscando atraí-lo a si com a sua paciência, com o seu amor. E nos fará bem pensar – acrescentou – nesta Semana Santa, na paciência de Deus, naquela paciência que o Senhor tem conosco, com as nossas fraquezas, com os nossos pecados."

O Pontífice observou que também o trecho de Isaías, na primeira leitura, ao apresentar "o ícone daquele 'servo de Deus', evidenciou a mansidão e a paciência de Jesus – que é a paciência de Deus mesmo".

"Quando se pensa na paciência de Deus: isso é um mistério!", exclamou o Papa Francisco. "Quanta paciência Ele tem conosco! Fazemos tantas coisas, mas Ele é paciente." E o é, disse ainda, "como aquele pai que o Evangelho diz que viu o filho de longe, aquele filho que tinha ido embora com todo o dinheiro da sua herança".

E por que o viu de longe? – perguntou-se o Papa. "Porque todos os dias olhava do alto para ver se o filho retornava." "Essa é a paciência de Deus", repetiu o Papa Francisco, "essa é a paciência de Jesus".

E concluiu: "Pensemos numa relação pessoal, nesta Semana: como tem sido na minha vida a paciência de Jesus comigo? Basta isso. Depois, sairá do nosso coração uma só palavra: 'Obrigado, Senhor! Obrigado por sua paciência". (RL)

Por: Radio Vaticano