terça-feira, 17 de junho de 2014



Catecismo da Igreja Católica

7. Preguiça: quando temos todo tempo do mundo a nossa disposição e mesmo assim deixamos de fazer as boas coisas em função de Deus e do próximo. (Eclesiástico 33,28-29; Provérbios 24,30-31; Ezequiel 16,49; Mt 20,6)

3.7 Acédia ou Preguiça Espiritual

A acédia é um dos principais pecados contra o amor a Deus, é um vício diretamente oposto ao amor de Deus e a alegria santa que resulta d'Ele. Provém da falta de gosto pelos valores espirituais, o desânimo no empenho pela santificação devido ao esforço que este requer e a lerdeza e o torpor na vida espiritual. É não encontrar prazer em Deus e considerar as coisas que a Ele se referem como algo triste e sem sabor. É um desgosto pelas coisas espirituais, que leva a executá-las mal, ou omiti-las sob vãos pretextos.


Esta tristeza deprimente, esse desgosto são bem diferentes da aridez espiritual ou dos sentidos que, em provações divinas, é acompanhada de contrição verdadeira por nossos pecados, de temor de ofender a Deus, de um novo desejo de perfeição, de uma necessidade de solidão, de recolhimento, e da oração de simples contemplação.

Segundo ensino de S. J. da Cruz, na aridez espiritual, a secura não vem da frouxidão e tibieza, pois apesar desta secura, tem solicitude interior pelas coisas de Deus, aliás tem solicitude com cuidado e pena de que não serve a Deus, tem desejos de servir a Deus. A parte sensitiva fica muito decaída, frouxa e fraca para operar, pelo pouco gosto que acha; o espírito, contudo está pronto e forte.

Na acédia, a secura vem da frouxidão, da negligência, não tem solicitude interior pelas coisas de Deus, remissa na vontade e no ânimo, tudo se vai em desgosto e estrago do natural. Ex.: na secura uma pessoa sofre porque tem distrações e luta para diminuí-las, no estado de preguiça espiritual a pessoa as acolhe, deixa-se levar por pensamentos usuais.

Conseqüências da Preguiça Espiritual

- Desistência das tarefas religiosas necessárias para a nossa salvação e santificação.

- As más tendências tendem a aumentar pouco a pouco, manifestando-se por numerosos pecados veniais que nos dispõem a cometer graves faltas.

- Busca de consolações materiais, prazeres inferiores com a finalidade de fugir da tristeza e desgosto, pela privação da alegria espiritual através da sua própria negligência e preguiça.

- Tristeza maligna que oprime a alma, dela nascem a malícia, o rancor sobre o seu próximo, desencorajamento, torpor espiritual mesmo pelo esquecimento de preceitos e, finalmente, procura de coisas proibidas, que levam à curiosidade, loquacidade, inquietude, instabilidade e agitação infrutífera. Desta forma a pessoa chega a uma cegueira espiritual e a um progressivo enfraquecimento da vontade.






segunda-feira, 16 de junho de 2014


















DEZ PENSAMENTOS DE SÃO JOÃO DA CRUZ

1 - O mais leve movimento de uma alma animada de puro amor é mais proveitoso à Igreja do que todas as demais obras reunidas.

2 - Não faça coisa alguma, nem diga palavra alguma, que Cristo não faria ou não diria se encontrasse nas mesmas circunstâncias.


3 - Renuncie aos desejos e encontrará o que o seu coração deseja.

4 - Quem não procura a Cruz de Cristo não procura a glória de Cristo.

5 - Quem se queixa ou murmura não é cristão perfeito, nem mesmo um bom cristão.

6 - Um coração puro encontra em tudo o conhecimento de Deus.

7 - As criaturas são os vestígios das pegadas de Deus, pelas quais se reconhece sua grandeza, poder e sabedoria.

8 - Os incomensuráveis bens de Deus só podem ser acolhidos por um coração vazio.

9 - Verbo Filho de Deus, juntamente com o Pai e o Espírito Santo, está essencial e realmente escondido no íntimo de cada ser.

10 - Se a alma procura desapegar-se de todas as coisas e permanecer vazia e despojada de tudo - tendo feito tudo o que era de sua parte - é impossível que Deus deixe de fazer a dele, de comunicar-se a ela pelo menos em segredo e no silêncio.





sábado, 14 de junho de 2014



SANTO DO DIA

DATA: 14-JUN - Santa Clotilde, marcou a história política cristã da França

A santa que lembramos neste dia marcou a história política cristã da França, já que era filha do rei Ariano. Santa Clotilde nasceu em Leão – França – no ano de 475, e ao perder os pais muito cedo, acabou sendo muito bem educada pela tia que a introduziu na vida da Graça.


Clotilde era ainda uma bela princesa que interiormente e exteriormente comunicava formosura, quando casou-se com um rei pagão, ambicioso e guerreiro, tendo com ele cinco filhos que acabaram herdando o gênio do pai. Como rainha Clotilde foi paciente, caridosa, simples e como mãe e esposa investiu tudo na conversão destes que amava de coração, por amor a Deus.

O soberano se propôs à conversão caso vencesse os alemães que avançavam sobre a França; ao conseguir este feito cumpriu sua palavra, pois tocado por Jesus e motivado pela esposa entrou na Catedral para receber o batismo e começar uma vida nova. O esposo morreu na Graça, ao contrário dos filhos revoltados e mortos a espada em guerras. Desta forma Santa Clotilde mudou para Tours, empenhou-se nas obras religiosas, e ajudou na construção de igrejas e mosteiros, isto até entrar no Céu em 545.

Santa Clotilde, rogai por nós!

Como entender que a Igreja não erra?


Como entender que a Igreja não erra?
Categoria: Artigos

Publicado em 19 de maio de 2014

A palavra “Igreja” pode ser utilizada de duas maneiras: a primeira quando designa a sua totalidade, e a segunda quando se refere ao Magistério enquanto tal. Ambas realidades são infalíveis. No primeiro caso, como afirmar que ela não erra?

O Credo professado aos domingos na Santa Missa diz: “Creio na Igreja UNA, SANTA, CATÓLICA E APOSTÓLICA”, ora, “esses quatro atributos, inseparavelmente ligados entre si, indicam traços essenciais da Igreja e da sua missão. A Igreja não os confere a si mesma; é Cristo que, pelo Espírito Santo, concede à sua Igreja que seja una, santa, católica e apostólica, e é ainda Ele que a chama a realizar cada uma destas qualidades”, assim ensina o Catecismo da Igreja Católica em seu número 811.

Infelizmente, nos dias atuais, é comum se ouvir que a Igreja é “santa e pecadora”. Tal pensamento não poderia ser mais errôneo e falacioso. A Igreja é verdadeiramente santa e imaculada, mas os seus membros é que são pecadores. O Catecismo, por meio do “Credo do Povo de Deus”, do Papa Paulo VI, ensina que:

A Igreja é santa, mesmo tendo pecadores em seu seio, pois não possui outra vida senão a da graça: é vivendo de sua vida que seus membros se santificam; é subtraindo-se à vida dela que caem nos pecados e nas desordens que impedem a irradiação da santidade dela. É por isso que ela sofre e faz penitência por essas faltas, das quais tem o poder de curar seus filhos, pelo sangue de Cristo e pelo dom do Espírito Santo. (CIC 827)

Assim, a Igreja, Corpo de Cristo, imaculado, é como um núcleo e do qual cada católico é um membro, podendo livremente aproximar-se ou afastar-se dele. Ao aproximar-se da Igreja, o católico é cada vez mais santificado pela Graça que dela emana. Da mesma forma, se livremente o católico decide afastar-se, por sua própria responsabilidade pessoal, afasta-se da da vida da Igreja, da comunhão com o Corpo de Cristo.

A Igreja, que é mãe, quer que seus filhos estejam em comunhão com ela, por isso, seus membros santos fazem penitência e pedem perdão a Deus pelos pecados daqueles membros que se afastam do núcleo. A Igreja, portanto, é santa. Esta realidade pode ser também observada em outros aspectos: ela é infalível em matéria de fé. O próprio Cristo cuidou para que assim fosse:

“Para manter a Igreja na pureza da fé transmitida pelos Apóstolos, Cristo quis conferir à sua Igreja uma participação na sua própria infalibilidade, Ele que é a Verdade. Pelo “sentido sobrenatural da fé”, o povo de Deus «se atém indefectivelmente à fé», sob a guia do Magistério vivo da Igreja.” (CIC 889)

Haverá fé sobre a terra quando o Filho do Homem retomar, pergunta Jesus. Sim, isso é certo. Mas, onde essa Igreja será reconhecida? Naqueles que continuarem a fé dos Apóstolos ao longo dos séculos, mesmo sob tribulações.

Não se trata de quantidade, mas sim de qualidade. Serão pessoas comprometidas com a fé, unidas à vida da graça, àquela santidade e santificação promovida pela união com o Corpo de Cristo. Serão os indefectíveis na fé.

Sabendo que a Igreja como um todo não erra, resta responder de que modo o Magistério também é indefectível. O Catecismo da Igreja Católica, ensina que “a missão do Magistério está ligada ao caráter definitivo da Aliança instaurada por Deus em Cristo com o seu povo” (CIC 890). Deus tem uma aliança com o seu povo e prometeu que estaria com o seu povo todos os dias. É função do Magistério a manutenção dessa aliança, embora membros possam sair dela.

O Catecismo prossegue dizendo que “deve protegê-Io dos desvios e dos afrouxamentos e garantir-lhe a possibilidade objetiva de professar sem erro a fé autêntica.” A dificuldade da Igreja consiste também na perda do élan, quando tudo se torna fácil, o que leva também à perda da radicalidade evangélica. O povo, olhando para o Magistério, enxerga um serviço. A Igreja é infalível e dentro dessa infalibidade existe o serviço do Magistério.

“O ofício pastoral do Magistério está, assim, ordenado ao cuidado para que o Povo de Deus permaneça na verdade que liberta. Para executar este serviço, Cristo dotou os pastores do carisma de infalibilidade em matéria de fé e de costumes. O exercício deste carisma pode assumir várias modalidades.” (CIC 890)

A Igreja possui o Magistério: o Papa e os Bispos, os quais recebem o carisma das coisas seguras na fé. Esse carisma pode ser exercido de forma solene, nas chamadas declarações ex cathedra do Papa ou nos Concílios Ecumênicos, quando esse carisma é exercido para confirmar a fé dos católicos. Mas, também de modo comum e ordinário no ensinamento do dia-a-dia, pois quando o Papa e os Bispos em comunhão com ele expõem a fé católica, estão também reproduzindo a fé recebida dos Apóstolos.

Deste modo, quando existe uma dúvida acerca de um ensinamento, o Magistério propõe uma declaração ex cathedra, mas quando é somente para reforçar o que se tem certeza, utiliza-se o modo ordinário. O que varia, portanto, é modalidade do pronunciamento.

Quando o pronunciamento é feito de forma oficial não resta dúvida de que se trata de um Magistério infalível. Contudo, no dia a dia fica mais difícil perceber essa infalibilidade. O primeiro critério é observar se o pronunciamento ou o documento contém o que a Igreja prega semper, ubique ET ab amnibus, ou seja, se está de acordo com a Tradição. Qualquer documento da Igreja só tem valor se estiver em sintonia com a Igreja de sempre, com a fé de dois mil anos.

O Magistério é infalível quando está unido continuamente à fé dos apóstolos, contudo, podem ocorrer imprecisões ou palavras mal empregadas que precisem de adequação, revisão ou esclarecimento. Pior ainda, os membros do Magistério são tão capazes de pecar quanto os demais, podendo assim cair na heresia, na apostasia ou no cisma. A História da Igreja está recheada desses exemplos e essa é grande dificuldade na aceitação da infabilidade do Magistério.

Todos os homens, inclusive os membros do clero, conforme dito, são pecadores e é preciso um esforço conjunto para que cada um mantenha-se em comunhão com a fé de sempre, com os santos, com a Tradição. Os fiéis, em sua totalidade, estão obrigados a obedecer aos membros do Magistério, conforme diz o Código de Direito Canônico:

Cân. 212 § 1. Os fiéis, conscientes da própria responsabilidade, estão obrigados a aceitar com obediência o que os sagrados Pastores, como representantes de Cristo, declaram como mestres da fé ou determinam como reitores da Igreja.

§ 2. Os fiéis têm o direito de manifestar aos Pastores da Igreja as suas necessidades e os seus anseios.

§ 3. De acordo com a ciência, a competência e o prestígio de que gozam, tem o direito e, às vezes, até o dever de manifestar aos Pastores sagrados a própria opinião sobre o que afeta o bem da Igreja e, ressalvando a integridade da fé e dos costumes e a reverência para com os Pastores, e levando em conta a utilidade comum e a dignidade das pessoas, deem a conhecer essa sua opinião também aos outros fiéis.

Isso significa que é possível a colaboração dos fiéis leigos com o Magistério. Faz parte da constituição da Igreja esta ajuda. Uma vez alcançada a maioridade dentro da Igreja, cada um na sua função, todos são responsáveis em colaborar para que ela continue sendo a Esposa Santa de Cristo na Terra e, portanto, indefectível na fé.

Retirado do livro: A Resposta Católica, de Padre Paulo Ricardo

O que a Igreja liga na Terra, Jesus liga no céu


O que a Igreja liga na Terra, Jesus liga no céu
Categoria: Artigos

Publicado em 18 de março de 2014

Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu. (Mt 18,18)

Parece que há alguns católicos que não entenderam ainda as promessas que Jesus fez à Igreja que Ele instituiu sobre Pedro de os Apóstolos. Entre outras Ele lhes disse: “Quem vos ouve a Mim ouve; quem vos rejeita, a Mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita Aquele que me enviou”. (Lc 10,16).

Esta é a bela lógica que Deus escolheu para salvar a humanidade: o Pai enviou o Filho como salvador e Redentor; e o Filho enviou a Igreja. É preciso ter com clareza que a Igreja é o “prolongamento da presença de Cristo no meio da humanidade”. “A Igreja é o Corpo do Senhor, e o ostensório do Seu coração”, disse Maurice Zundel. Bossuet preferiu dizer que: “A Igreja é Jesus Cristo derramado e comunicado a toda a terra”.

Os grandes Santos Padres da Igreja, doutores da Igreja, como São Basílio Magno, São Gregório de Nissa, São Gregório de Nazianzo, Santo Agostinho, São Jerônimo, etc., tinham esta certeza: “Ubi Petrus, ibi Ecclesia; ubi Ecclesia ibi Christus” (Onde está Pedro, está a Igreja; onde está a Igreja está Jesus Cristo). Santo Inácio de Antioquia (†110), mártir no Coliseu de Roma, disse: “Onde está o Cristo Jesus está a Igreja Católica”. A Lumen Gentium do Concílio Vaticano II, disse que “Deus estabeleceu congregar na Santa Igreja os que creem em Cristo” (LG, 2).

Uma promessa que Jesus fez à Igreja, a Pedro (Mt 16,19) e aos Apóstolos unidos a Pedro (Mt 18,18), é que tudo o que eles ligarem na Terra, Ele ligaria no céu. E aí está a infalibilidade da Igreja: como no céu não pode ser ligado nada errado, então, o Espírito Santo assiste e guia a Igreja para não ligar nada de errado na Terra, pois isto terá de ser ligado no céu, por força de promessa de Jesus.

Desta certeza vem toda a beleza, por exemplo, da Liturgia. Ou ainda, quando a Igreja celebra o Natal aqui, no dia 25 de dezembro, o céu também o celebra neste dia. Se a Igreja celebra o dia do nascimento de Nossa Senhora no dia 8 de setembro, o céu o celebra no mesmo dia, e assim por diante. E quando celebramos essas datas e todas as outras festas litúrgicas, solenidades e memórias de santos, no dia fixado pela Igreja, as graças desse acontecimento se tornam atuais e as recebemos em sua celebração como no acontecimento original. De modo especial, quando celebramos a Santa Missa, torna-se presente a nossa Redenção. Daí vem toda a beleza, profundidade e espiritualidade da Liturgia.

É de causar admiração o poder que Jesus confiou a Pedro, o Papa, e à sua Igreja. Quando o Papa confirma, por exemplo, que alguém é santo, e o canoniza, não há dúvida de que aquela pessoa está no céu, “intercedendo por nós sem cessar”, como diz a Liturgia eucarística. Esta é a beleza de nossa fé; desde aqui da Terra já participamos da glória do céu, como que por antecipação.

Prof. Felipe Aquino

O que é o Mistério da Santíssima Trindade?


O que é o Mistério da Santíssima Trindade?Categoria: Artigos
Publicado em 13 de junho de 2014

O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. Deus se revelou como Pai, Filho e Espírito Santo. Foi Nosso Senhor Jesus Cristo quem nos revelou este mistério. Ele falou do Pai, do Espírito Santo e d’Ele mesmo como Deus. Logo, não é uma verdade inventada pela Igreja, mas revelada por Jesus. Não a podemos compreender, porque o Mistério de Deus não cabe em nossa cabeça, mas é a verdade revelada.

Santo Agostinho (†430) dizia que: “O Espírito Santo procede do Pai enquanto fonte primeira e, pela doação eterna deste último ao Filho, do Pai e do Filho em comunhão” (A Trindade, 15,26,47). O Santo disse que Deus não é para ser compreendido, mas adorado. “Se o compreendesses era não seria Deus”.

Só existe um Deus, mas n’Ele há três Pessoas divinas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. Não pode haver mais que um Deus, pois este é absoluto. Se houvesse dois deuses, um deles seria menor que o outro, e Deus não pode ser menor que outro, pois não seria Deus.

A Trindade é Una. “Não professamos três deuses, mas um só Deus em três pessoas: “a Trindade consubstancial” (II Conc. Constantinopla, DS 421). “O Pai é aquilo que é o Filho, o Filho é aquilo que é o Pai, o Espírito Santo é aquilo que são o Pai e o Filho, isto é, um só Deus por natureza” (XI Conc. Toledo, em 675, DS 530). “Cada uma das três pessoas é esta realidade, isto é, a substância, a essência ou a natureza divina” (IV Conc. Latrão, em 1215, DS 804).

A Profissão de Fé do Papa Dâmaso, diz: “Deus é único, mas não solitário” (Fides Damasi, DS 71. A Igreja ensina que as pessoas divinas são relativas umas às outras. Por não dividir a unidade divina, a distinção real das pessoas entre si reside unicamente nas relações que as referem umas às outras:

Aos Catecúmenos de Constantinopla, S. Gregório Nazianzeno (330-379), “o Teólogo”, explicava:

“Antes de todas as coisas, conservai-me este bem depósito, pelo qual vivo e combato, com o qual quero morrer, que me faz suportar todos os males e desprezar todos os prazeres: refiro-me à profissão de fé no Pai e no Filho e no Espírito Santo. Eu vo-la confio hoje. É por ela que daqui a pouco vou mergulhar-vos na água e vos tirar dela. Eu vo-la dou como companheira e dona de toda a vossa vida. Dou-vos uma só Divindade e Poder, que existe Una nos Três, e que contém os três de maneira distinta. Divindade sem diferença de substância ou de natureza, sem grau superior que eleve ou grau inferior que rebaixe… A infinita conaturalidade é de três infinitos. Cada um considerado em si mesmo é Deus todo inteiro… Deus os Três considerados juntos. Nem comecei a pensar na Unidade, e a Trindade me banha em seu esplendor. Nem comecei a pensar na Trindade, e a unidade toma conta de mim (Or. 40,41).

O primeiro catecismo chamado Didaqué, do ano 90 dizia:

“No que diz respeito ao Batismo, batizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo em água corrente. Se não houver água corrente, batizai em outra água; se não puder batizar em água fria, façais com água quente. Na falta de uma ou outra, derramai três vezes água sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Didaqué 7,1-3).

São Clemente de Roma, papa no ano 96, ensinava: “Um Deus, um Cristo, um Espírito de graça” (Carta aos Coríntios 46,6). “Como Deus vive, assim vive o Senhor e o Espírito Santo” (Carta aos Coríntios 58,2).

Santo Inácio, bispo de Antioquia (†107), mártir em Roma, dizia: “Vós sois as pedras do templo do Pai, elevado para o alto pelo guindaste de Jesus Cristo, que é a sua cruz, com o Espírito Santo como corda” (Carta aos Efésios 9,1).

São Justino, mártir no ano 151, escreveu essas palavras ao imperador romano Antonino Pio: “Os que são batizados por nós são levados para um lugar onde haja água e são regenerados da mesma forma como nós o fomos. É em nome do Pai de todos e Senhor Deus, e de Nosso Senhor Jesus Cristo, e do Espírito Santo que recebem a loção na água. Este rito foi-nos entregue pelos apóstolos” (I Apologia 61).

S. Irineu de Lião, ano 189: “Com efeito, a Igreja espalhada pelo mundo inteiro até os confins da terra recebeu dos apóstolos e seus discípulos a fé em um só Deus, Pai onipotente, que fez o céu e a terra, o mar e tudo quanto nele existe; em um só Jesus Cristo, Filho de Deus, encarnado para nossa salvação; e no Espírito Santo que, pelos profetas, anunciou a economia de Deus…” (Contra as Heresias I,10,1).

“Já temos mostrado que o Verbo, isto é, o Filho esteve sempre com o Pai. Mas também a Sabedoria, o Espírito estava igualmente junto dele antes de toda a criação” (Contra as Heresias IV,20,4).

E o Concílio de Nicéia, ano 325, confirmou toda essa verdade:

“Cremos… em um só Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, nascido do Pai como Unigênito, isto é, da substância do Pai, Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não feito, consubstancial com o Pai, por quem foi feito tudo que há no céu e na terra. [...] Cremos no Espírito Santo, Senhor e fonte de vida, que procede do Pai, com o Pai e o Filho é adorado e glorificado, o qual falou pelos Profetas” (Credo de Nicéia).

Prof. Felipe Aquino

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J.8.8 Efeitos da justiça

§2304 O respeito e o desenvolvimento da vida humana exigem a paz. A paz não é somente ausência de guerra e não se limita a garantir o equilíbrio das forças adversas. A paz não pode ser obtida na terra sem a salvaguarda dos bens das pessoas, sem a livre comunicação entre os seres humanos, o respeito pela dignidade das pessoas e dos povos, a prática assídua da fraternidade. E a "tranqüilidade da ordem", "obra da justiça" (Is 32,17) e efeito da caridade.