quinta-feira, 26 de junho de 2014

DEUS É SUAVE COMO UMA BRISA




31 min · 


DEUS É SUAVE COMO UMA BRISA

Um viajante caminhava pela estrada, quando observou o pequeno rio que começava tímido por entre as pedras. Foi seguindo-o por muito tempo. Aos poucos, ele foi tomando volume e se tornando um rio maior. O viajante continuou a segui-lo.

Bem mais adiante, o que era um pequeno rio se dividiu em dezenas de cachoeiras, num espetáculo de águas cantantes.


A música das águas atraiu mais o viajante, que se aproximou e foi descendo pelas pedras, ao lado de uma das cachoeiras. Descobriu, finalmente, uma gruta.

A natureza criara com paciência caprichosa, formas na gruta. Ele a foi adentrando, admirando sempre mais as pedras gastas pelo tempo.

De repente, descobriu uma placa. Alguém estivera ali antes dele. Com a lanterna, iluminou os versos que nela estavam escritos. Eram versos do grande escritor Tagore, prêmio Nobel de literatura de 1913:

“Não foi o martelo que deixou perfeitas estas pedras, mas a água, com sua doçura, sua dança, e sua canção”.

“Onde a dureza só faz destruir, a suavidade consegue esculpir.”
Deus é nobre e suave, por isso a natureza, que saiu das suas mãos é assim.

Um dia Deus quis mostrar ao profeta como Ele é. Diz a narração da Bíblia que o Senhor disse a ele:

“Sai e conserva-te em cima do monte na presença do Senhor: ele vai passar. Nesse momento passou diante do Senhor um vento impetuoso e violento, que fendia as montanhas e quebrava os rochedos; mas o Senhor não estava naquele vento. Depois do vento, a terra tremeu; mas o Senhor não estava no tremor de terra. Passado o tremor de terra, acendeu-se um fogo; mas o Senhor não estava no fogo. Depois do fogo ouviu-se o murmúrio de uma brisa ligeira. Tendo Elias ouvido isso, cobriu o rosto com o manto, saiu e pôs-se à entrada da caverna” (1 Reis 19,11-13).

O grande profeta do Antigo Testamento entendeu que Deus não age pela força, mas pela verdade, justiça, direito e amor. É melhor assim.



O oculto e o revelado




11 h · 


O oculto, para Deus e o revelado, para nós... - 2

Eis! O que realmente importa que saibamos, o que realmente nos salva e basta para dar sentido à vida, o Senhor nos revelou, são para nós e para que ensinemos àqueles que virão depois de nós!

O Senhor não nos revela aquilo que não nos pertence.
O Senhor não nos dá satisfação!
Revela-nos o essencial, o suficiente para que compreendamos que Ele é presença, que é amor, que é Deus fiel. Basta!
Aquilo que nos revelou não é para matar nossa curiosidade, mas para nos comprometer com Ele, no seguimento da Sua santa vontade.


Seus preceitos não são um fardo, mas setas que indicam o caminho da vida e descortinam, pouco a pouco, para quem se põe a segui-Lo, o sentido verdadeiro, simples e profundo da existência.
Por isso mesmo, valem aquelas duas bênçãos presentes no judaísmo, e que tanto me comovem: a primeira: "Bendito sejas Tu, Senhor nosso Deus, que guardas os segredos!" a segunda: "Bem-aventurados somos nós, ó Israel, pois a nós foram reveladas as coisas que agradam a Deus!" (Br 4,4)

O oculto e o revelado






Pediram que eu postasse novamente... Lá vai:

O oculto, para Deus e o revelado, para nós... - 1

"As coisas ocultas pertencem ao Senhor nosso Deus, mas as reveladas são para nós e nossos filhos para sempre" (Dt 29,28).
Que palavras, essas da Escritura Santa; sempre me comoveram!


Neste mundo, nesta vida há tantas realidades que não conseguimos compreender; tanto nos acontece, ocorre ao nosso redor e nos deixa com a sensação de vazio, de absurdo, de total falta de sentido!
São tantos os por quês e os para quês!
Tantas perguntas; tão parcas respostas!
Pobres filhos de Adão e filhas de Eva!

Nem toda a ciência,
nem todo o progresso tecnológico conseguirão elucidar o mistério da existência e os tantos enigmas que a povoam!
Não me refiro aos pequenos mistérios das incríveis leis da natureza... Esses são mistérios menores...
Refiro-me àqueles grandes, indecifráveis:
Por que existimos?
Para que vivemos?
Qual o sentido de tudo?
Por que a dor, o amor, a sede danada de felicidade, realização e plenitude?
Qual o sentido último da história humana?
Qual o sentido daqueles que mal nasceram e já morreram ou, ainda nascituros, foram arrancados criminosamente do ventre materno?
Qual o sentido dos que passam a vida sofrendo, alquebrados pelas tremendas vicissitudes da existência?
Por quê? Para quê? Que sentido?
Que consolo saber que há um Deus no céu: "As coisas ocultas pertencem ao Senhor nosso Deus!"
Ele tudo sabe, Ele tudo pode, Ele tudo tem nas Suas mãos benditas. E isto me basta!
E eu, que nem criança manhosa, descanso Nele, repouso no Seu coração divino, amoroso e sábio e me abandono docemente nas Suas mãos carinhosas.
Não sei; Ele sabe.
Não posso; Ele pode.
Não compreendo. Ele tem tudo em Suas mãos providentes.
"As coisas ocultas pertencem ao Senhor nosso Deus!" não a ti, homem teimoso e orgulhoso, que gostas de brincar de ser Deus e não passas de um ídolo bobo!
"Mas, as reveladas são para nós e nossos filhos para sempre!"

terça-feira, 24 de junho de 2014

"Eu sei o quanto Deus me ama,
ainda que lágrimas banham minh'alma
Ele jamais me desampara
e cuida-me de forma tão linda,
me direciona a um Jardim particular, 
onde me diz em todo tempo:
Suas flores estão sendo germinadas
e quando chegarem
serão as mais lindas do lugar".

quinta-feira, 19 de junho de 2014



O DEVIDO RESPEITO PARA COM A SAGRADA EUCARISTIA

Apesar de toda catequese da Igreja sobre a Eucaristia, ainda hoje Jesus é muito desrespeitado e profanado na Hóstia Santa

Os Sacramentos que Cristo deixou na Igreja transmitem a graça da salvação que Ele conquistou pela sua morte e ressurreição; mas a sagrada Eucaristia vai mais além, porque é o centro da fé católica; é o maior de todos os Sacramentos porque nele Cristo está vivo, em corpo, sangue, alma e divindade.

Há dois mil anos, desde que pela primeira vez Jesus celebrou a Eucaristia na Santa Ceia, nunca mais a Igreja deixou de realizá-la. Além disso, Cristo na Hóstia sagrada, vítima oferecida em sacrifício, é guardado nos Sacrários para ser adorado pelos fiéis e levado aos doentes. Mas, apesar de toda catequese da Igreja sobre a Eucaristia, ainda Jesus é muito desrespeitado e profanado na Hóstia santa.

Uma dessas profanações acontece quando alguém, ciente de que está em pecado grave, comunga sem se confessar com o sacerdote. São Paulo nos lembra da gravidade de Comungar sem estar em condições para isso. Ele diz: “Assim, todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice lembrais a morte do Senhor, até que venha. Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação. Esta é a razão por que entre vós há muitos adoentados e fracos, e muitos mortos”. (1 Cor 11,26-30)

É claro que não devemos deixar de Comungar por qualquer falta cometida, mas quando o pecado é grave, mortal, é indispensável a Confissão. Não se pode receber Aquele que é Santo em um coração que não esteja purificado.

Outra profanação seríssima contra a Eucaristia é o uso de Hóstias consagradas para a chamada “missa negra” realizada em cultos demoníacos. São Paulo fala da grandeza do Corpo de Cristo na Eucaristia: “O cálice de bênção, que benzemos, não é a comunhão do sangue de Cristo? E o pão, que partimos, não é a comunhão do corpo de Cristo?… As coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam-nas a demônios e não a Deus. E eu não quero que tenhais comunhão com os demônios. Não podeis beber ao mesmo tempo o cálice do Senhor e o cálice dos demônios. Não podeis participar ao mesmo tempo da mesa do Senhor e da mesa dos demônios”. (1Cor 10,16-21).

Só para dar um exemplo recente, cito a notícia da Gaudim Press (12/5/2014): “A Arquidiocese de Boston emitiu um comunicado oficial no qual rejeitou os planos para a realização de uma “Missa Negra”, no campus da Universidade de Harvard, em 12 de maio. cpa_segredo_da_sagrada_eucaristia“Para o bem dos fiéis católicos e de todas as pessoas, a Igreja oferece um ensinamento claro sobre o culto ao demônio. Esta atividade separa as pessoas de Deus e da comunidade humana, e põem os seus participantes perigosamente próximos dos trabalhos destrutivos do mal”, advertiu a Arquidiocese.

Em vários lugares têm havido terríveis profanações da Eucaristia com arrombamentos de Sacrários, roubo de Hóstias e até pisoteamento delas. Diante de tudo isso, é preciso o máximo de cuidado com a proteção da Sagrada Eucaristia nos Sacrários. Esses devem ser muito bem fixados, fechados e protegidos. Quando há adoração do Santíssimo Sacramento exposto no Ostensório, nunca se pode deixar o mesmo sem alguém em adoração e vigilância.

Outro cuidado deve ser ao ser distribuída a Comunhão aos fiéis: é preciso observar se os mesmos as colocam na boca na frente do ministro, como obriga a Igreja. Alguém deve estar ao lado do ministro para verificar isso e proibir que alguém esconda a Hóstia e a leve para casa.

Além disso, todo respeito deve ser observado na Igreja diante do Sacrário. Ao se passar diante dele devemos fazer a genuflexão com um dos joelhos em um ato de adoração. Se passarmos diante do Santíssimo exposto, então, devemos nos ajoelhar com os dois joelhos para esse ato de adoração. Não podemos deixar que a Presença de Deus no meio de nós se torne algo trivial, banal, sem merecer a devida atenção e respeito. Diante Dele é preciso silêncio, adoração e todo respeito.

Prof. Felipe Aquino
Fonte: Ed. Cléofas
O AMOR E O ZELO PELA EUCARISTIA

Alguns meses antes de sua morte, o grande Bispo americano, Fulton J. Sheen, foi entrevistado pela rede nacional de televisão: "Bispo Sheen, milhares de pessoas em todo o mundo inspiram-se em você. Em quem você se inspirou? Foi por acaso em algum Papa?".

O Bispo Sheen respondeu que sua maior inspiração não foi um Papa, um Cardeal, ou outro Bispo, sequer um sacerdote ou freira. Foi uma menina chinesa de onze anos de idade. Explicou que quando os comunistas apoderaram-se da China, prenderam um sacerdote em sua própria reitoria, próximo à Igreja. O sacerdote observou assustado, de sua janela, como os comunistas invadiram o templo e dirigiram-se ao santuário. Cheios de ódio profanaram o tabernáculo, pegaram o cálice e, atirando-o ao chão, espalharam-se as hóstias consagradas. 

Eram tempos de perseguição e o sacerdote sabia exatamente quantas hóstias havia no cálice: trinta e duas. Quando os comunistas retiraram-se, talvez não tivessem percebido, ou não prestaram atenção, a uma menininha, que rezando na parte detrás da igreja, viu tudo o que ocorreu. À noite, a pequena regressou e, escapando da guarda posta na reitoria, entrou no templo. Ali, fez uma hora santa de oração, um ato de amor para reparar o ato de ódio. Depois de sua Hora Santa, entrou no santuário, ajoelhou-se, e inclinando-se para frente, com sua língua recebeu Jesus na Sagrada Comunhão. Naquele tempo não era permitido aos leigos tocar a Eucaristia com suas mãos.

A pequena continuou regressando a cada noite, fazendo sua Hora Santa e recebendo Jesus Eucarístico na língua. Na trigésima noite, depois de haver consumido a última hóstia, acidentalmente fez um barulho que despertou o guarda. Este correu atrás dela, agarrou-a, e golpeou-a até matá-la com a parte posterior de sua arma.
Este ato de martírio heroico foi presenciado pelo sacerdote enquanto, profundamente abatido, olhava da janela de seu quarto convertido em cela.

Quando o Bispo Sheen escutou o relato, inspirou-se de tal maneira que prometeu a Deus que faria uma Hora Santa de oração diante de Jesus Sacramentado todos os dias, pelo resto de sua vida. Se aquela pequena pôde dar testemunho com sua vida da real e bela Presença do seu Salvador no Santíssimo Sacramento então, o bispo via-se obrigado ao mesmo. Seu único desejo desde então seria atrair o mundo ao Coração ardente de Jesus no Santíssimo Sacramento.

A pequena ensinou ao Bispo o verdadeiro valor e zelo que se deve ter pela Eucaristia; como a fé pode sobrepor-se a todo medo e como o verdadeiro amor a Jesus na Eucaristia deve transcender a própria vida.

quarta-feira, 18 de junho de 2014


  1. Pensamentos Consoladores de São Francisco de Sales.

  2. 6/14 - Não desejamos nem recusemos os alívios na doença.

  3. Nosso Senhor, estando na cruz, fez-nos compreender bem como devemos mortificar os sentimentos naturais que nos tornam muito compassivos conosco; porque, tendo grande sede, não pediu para beber, mas manifestou somente a sua necessidade: "Tenho sede". E depois fez um ato de grande submissão, porque sendo-lhe apresentada na ponta duma lança uma esponja embebida em fel e vinagre, colou a ela os seus benditos lábios.
  4. Caso estranho! Não ignorava que era uma bebida que aumentaria o seu tormento; contudo bebeu simplesmente sem nada dizer, para nos ensinar com que submissão devemos receber o que nos dão, quando estamos doentes, sem mostrarmos repugnância, desgosto, ou enfado. Ah! se estamos um pouco incomodados, em vez de imitarmos o nosso doce Mestre, não cessamos de nos lamentar e queixar; o nosso mal, seja qual for, é incomparável, e o que os outros sofrem nada é; estamos impacientes e tristes o mais possível e nada achamos que nos possa prontamente aliviar. Enfim custa a ver como imitamos tão pouco a paciência do nosso Salvador, que esquecendo as suas dores não procurava torná-las conhecidas, mas contentava-se em que seu Pai celeste, por cuja ordem sofria, as considerasse e derramasse o fruto sobre os homens por quem sofria.
  5. A humildade, a paciência e o amor d'Aquele que nos envia as cruzes, requerem que as recebamos sem nos queixar; mas, notai há muita diferença entre contar os seus males e lamentar-se deles. Podemos contá-los assim em muitas ocasiões, somos obrigados a contá-los e a dar-lhes remédios; mas isto deve-se fazer com calma, sem o exagerarmos por palavras ou por lamentações.
  6. É isto que diz a Santa Tereza; porque lamentar-se não é narrar o seu mal, mas contá-lo com lamentações e testemunhos de aflição.
  7. Narrai pois simples e verdadeiramente, sem escrúpulo; mas de maneira que proveis sujeitar-vos a ele docemente. Gravai na vossa memória estas duas queridas frases que tantas vezes vos tenho recomendado: Nada desejeis e nada recuseis. Nestas duas palavras esta dito tudo. Contemplai o Menino Jesus no presépio; recebeu a pobreza, a nudez, a companhia dos animais, e as injúrias do tempo, o frio e tudo que seu Eterno Pai permitiu que lhe acontecesse. Não esta escrito que estendesse as mãozinhas para pedir o seio de sua Mãe. Entregava-se completamente ao seu cuidado e previdência. Não recusava os pequenos alívios que ela proporcionava e recebia os serviços de São José, as adorações e presentes dos pastores e dos reis, e tudo isto com igualdade perfeita. Devemos fazer o mesmo, e a exemplo do divino Salvador, nada pedirmos e nada recusarmos, mas sofrer e receber igualmente tudo o que a Providência de Deus permitir que nos suceda. Conceda-nos Deus esta graça.
  8. Encontro no Evangelho um modelo perfeito desta virtude na sogra de São Pedro. Esta boa enferma, atacada por uma grande febre, ficara tranquila e sem inquietação alguma, e mesmo sem a causar aos que a serviam. Contentava-se com sofrer o seu mal com paciência e doçura. Oh! Deus quanto era ela feliz e como merecia que cuidassem dela, como fizeram os Apóstolos, que trataram dela sem que lhes pedisse, mas por caridade e compaixão!
  9. Esta boa, enferma, bem sabia que Nosso Senhor estava em Cafarnaum e que curava os doentes; contudo não se apressou a ir dizer-lhe que sofria... Mas o que é ainda mais admirável é que o viu em sua casa, onde Jesus a viu e ela a Ele, e contudo não lhe disse uma única palavra para o excitar à compaixão, nem o tocou com intenção de ser curada.
  10. Ainda mais: parece não fazer caso da doença, não se enternece a contá-la, não se lamenta, nem pede que lamentem e lhe busquem o remédio. Contenta-se com que Deus o saiba e os que a governam. Considera a Nosso Senhor, não só como o seu soberano médico mas ainda como Deus, a quem pertence tanto na saúde como na doença, estando tão contente, sã como enferma. Oh! quantas pessoas teriam usado de finura para serem curadas por Nosso Senhor, e teriam dito que pediam a saúde para o servir melhor, temendo que lhe não faltasse alguma coisa. Mas esta Santa mulher não pensava nisto; fazendo ver a sua resignação, e nada pedindo a Nosso Senhor senão a sua santíssima vontade.
  11. Não quero com isto dizer que a não possamos pedir a Deus como a quem no-lo pode dar, com a condição de nos submetermos à sua vontade.
  12. Não basta estar doente, porque Deus o quer, mas também como Deus o quer, quando Deus o quer, e da maneira que quiser, não escolhendo doença alguma, por abjeta e humilhante que seja; porque muitas vezes o mal sem abjeção entumece o coração em vez de o humilhar: mas quando padecemos o mal e a confusão ao mesmo tempo, que ocasião para exercermos a paciência, a humildade e a doçura da alma!
  13. Tenhamos um grande cuidado, imitando aquela santa mulher, mantendo nosso coração em doçura, aproveitando-nos como ela das nossas doenças; porque ela se levantou logo e serviu a Nosso Senhor, não usando da sua saúde senão para seu serviço. E nisto não fez como os mundanos, que tendo estado doente alguns dias, precisam de semanas e meses inteiros para se restabelecerem.
  14. Não vos lamenteis pois, obrigai vosso coração a sofrer tranquilamente; e se tiverdes alguma impaciência, logo que notardes, conservai o vosso coração em paz e doçura. Crede-me; Deus ama as almas agitadas pelas ondas e tempestades do mundo, contanto que recebam das suas mãos os trabalhos e como guerreiros valentes, se exercitem a guardar fidelidade entre os assaltos e combates.
  15. Se estais algumas vezes pouco tratável nas vossas enfermidades, isso passará pouco a pouco. O espírito humano muda muitas vezes sem que o pensemos e aquele que menos perturbações sente, é o melhor.
  16. Quanto a vós, suponho que agora a idade e a fraqueza da vossa compleição vos tornarão fraco e lânguido; é por isso, que vos aconselho que vos exerciteis em acatar a amabilíssima vontade de Deus, e na abnegação das alegrias exteriores e na doçura entre as amarguras; é este o sacrifício mais excelente que podeis fazer.
  17. Praticai não só o amor sólido, mas o amor terno, doce e suave para com os que vos cercam; o que eu digo pela experiência que tenho, que as doenças, não nos tirando a caridade, tiram-nos contudo a suavidade para com o próximo, se nos não prevenirmos.
  18. É preciso que nos soframos a nós próprios até que Deus nos conduza ao céu, e enquanto nos suportamos, nada que presta suportamos... Tenhamos pois paciência. As doenças do espírito, bem como as do corpo, chegam as corridas, mas vão-se a passo. Convém pois, ó Filotéia que sejas corajosa e paciente nesta empresa.
  19. Estas doenças longas são uma escola de caridade para os que lhes assistem e de amorosa paciência para os que as sofrem; porque uns estão aos pés da cruz como Nossa Senhora e São João, cuja compaixão imitam, e outros estão na cruz como Nosso Senhor, imitando-lhe a paixão.
  20. Muitas vezes sai-se destes acidentes com uma vantagem dupla, porque a febre dissipa os maus humores do corpo e purifica os do coração.



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